Telhas na calçada, quintal cheio de cacos, madeiramento da garagem escorado no muro: na noite passada, ninguém dormiu na casa do militar aposentado Noel Patrocínio, 52 anos. Domingo pela manhã, um monomotor que caiu na Rua João Batista dos Santos destruiu a garagem e o carro da família. Na hora do acidente, Patrocínio estava trabalhando e a esposa dele, a dona de casa Silvéria Rosa do Nascimento, 44, estava na sala com a filha e o neto. O susto foi tão grande que Silvéria precisou ser atendida pelo Siate: ‘‘A pressão subiu e tive uma pequena hemorragia.’’
  Meia hora depois da queda do monomotor, Patrocínio chegou em casa e encontrou a família ilhada, já que o avião bloqueava o portão. ‘‘Escutei um barulhão e saí com a minha filha e meu neto pelos fundos para ver o que era e encontramos o avião caído na garagem’’, recordou Silvéria.
  Segundo ela, voos de treinamento dos pilotos do Aeroclube são constantes no bairro aos fins de semana. ‘‘Já tinha comentado com meu marido que qualquer dia isso ia acontecer. Parece até que moramos no aeroporto’’, completou a dona de casa, que teve de ajudar os familiares a limpar os destroços após retornar do pronto socorro, onde ficou internada por algumas horas.
  Patrocínio comemorou o fato de não estar em casa no momento do acidente, já que aos domingos costuma descansar em uma cadeira que sempre fica na área da frente da casa. ‘‘Podia ter morrido’’, assinalou o aposentado, que mudou-se para o bairro com a esposa há apenas um ano e cansou de ver aeronaves voando baixo pela rua.
  ‘‘Tivemos que lavar as paredes por causa da sujeira e os móveis ficaram cheios de poeira’’, descreveu Silvéria. Além da garagem, o casal teve uma porta de vidro estilhaçada e os vidros e a lataria do carro destruídos. ‘‘Foi como nascer de novo’’, desabafou a dona de casa.
  ‘‘Já procurei a Caixa Econômica, que ficou de mandar um engenheiro avaliar os danos provocados pelo avião’’, completou o morador, que participaria de uma reunião com os vizinhos e a direção do Aeroclube na tarde de ontem. Pela manhã, um representante do Aeroclube foi até o local para avaliar os danos e fazer um orçamento para a reforma das quatro casas atingidas.
  Vizinha de Patrocínio, Ana de Souza dos Anjos, 55, também vive com um filho no bairro há um ano e já acostumou com os treinamentos de pilotos. Domingo, eles estavam descansando quando ouviram o barulho do monomotor caindo. ‘‘Eu e meu filho vimos o avião na casa da vizinha e fomos ver como ela estava porque sabíamos que o marido dela não estava em casa.’’
  Segundo Ana, representantes do Aeroclube deram assistência às famílias durante todo o dia e se propuseram a pagar pelos estragos. Na casa dela, a hélice do monomotor ficou presa no muro e o impacto comprometeu a estrutura da garagem e da laje. ‘‘Tá tudo trincado e vai ter que fazer de novo’’, disse a moradora, que ‘‘emprestou’’ a saída de luz para o vizinho até que a Copel providencie um novo poste para substituir o que foi destruído. ‘‘Graças a Deus foi só o susto’’, declarou.

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