Arquivo FolhaCríticoO ministro Raul Jungmann acha que a radicalização do líder do MST também poderá representar o fim do apoio de parte da classe média brasileira à causa dos sem-terraO ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse ontem, em Belo Horizonte, que a intenção de João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao pregar a invasão de áreas urbanas é ‘‘a destruição de José Rainha’’. Jungmann se referia às declarações do coordenador do MST pregando a ocupação de escolas fechadas e terrenos baldios, como forma de protesto de desempregados e sem-teto. Para o ministro, ao radicalizar ‘‘Stédile cria um clima para que o julgamento de Rainha seja político. E isso nós não queremos que aconteça’’, afirmou. Líder dos sem-terra na região do Pontal do Paranapanema (SP), Rainha vai a julgamento em setembro acusado de participação num duplo homicídio ocorrido em Pedro Canário, no Espírito Santo.
Jungmann esteve ontem em Belo Horizonte assinando convênios visando o repasse de verbas ao Programa Estadual de Reforma Agrária. ‘‘Se o Rainha for condenado, o grande responsável será o Stédile’’, completou. Para o ministro, a radicalização do líder do MST também poderá representar o fim do apoio de parte da classe média brasileira à causa dos sem-terra e prejudicar, ainda, a imagem da esquerda democrática no País, a começar pelos ‘‘governadores do PT’’.
‘‘O senhor João Pedro Stédile está apostando na derrota da esquerda democrática brasileira’’, ressaltou. ‘‘É preciso combater a pobreza, sim, mas ele não é um democrata, e sim um autoritário’’.
No Palácio da Liberdade, o ministro e o governador Eduardo Azeredo (PSDB), assinaram um convênio para implantação em Minas de dotação de infra-estrutura aos assentamentos nos 67 assentamentos já existentes e onde vivem cerca de 3.900 famílias. O Estado entrará com R$ 13 milhões no programa.

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