Curitiba - No ano de 2000, R.L.V., de 37 anos, adquiriu um tipo raro de psoríase, do tipo gutata, que provoca erupções na pele semelhantes à varíola e sarampo, segundo ela. ''Achei que fosse uma alergia, porque começou com uma pintinha perto do umbigo. Mas aí, as erupções tomaram todo meu corpo, exceto meu rosto, o que me levou a procurar um especialista em doenças de pele, já que as pomadas não surtiam efeito'', conta R.L.V., que morava num apartamento no último andar, no Alto São Francisco, em Curitiba, bairro povoado por pombos.
O forro do apartamento dela servia de habitação para pombos, que sujavam diariamente a sacada do quarto com fezes. ''Eu limpava todos os dias, para não acumular as fezes, com água, vassoura e produtos de limpeza. Sem falar que sempre encontrava penugens dos pombos no carpete do meu quarto'', conta ela. ''O médico pediu que eu fizesse uma biópsia para descobrir o problema, mas já desconfiava que fosse psoríase gutata, que é transmitida por animais com penas. E foi o que o exame constatou'', relata.
Durante o período de diagnóstico R.L.V. viu sua pele sofrer escamação, inclusive no couro cabeludo. ''Não coçava, nem ardia, mas para auto-estima era horrível, porque o aspecto provocava reação nas pessoas, que deviam achar que fosse uma doença infecto-contagiosa'', lembra. Ela se submeteu a três meses de tratamento, feito com medicação oral e fototerapia - que expõe a pessoa a raios ultravioletas. As erupções secaram e desapareceram, sem deixar marcas.
''A minha sorte é que a psoríase gutata tem cura'', informa R.L.V. ''Hoje tenho pavor, pânico de pombos. Muitas pessoas consideram um animal bonitinho, um símbolo da paz. Mas para mim é um rato de asas, porque transmite tantas doenças quanto ratos'', disse ela, que precisou se mudar de apartamento e optou por uma residência bem longe de pombos.(F.G.)

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