Para MEC, ensino de 2º grau é sofrível
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quinta-feira, 26 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaBidPaulo Renato Souza: investimento de R$ 2,5 bi, em cinco anosA formação em 2º grau no País é sofrível, admitiu ontem o próprio ministro da Educação, Paulo Renato Souza. As suspeitas do governo quanto à má qualidade do ensino foram comprovadas pelo resultado do exame realizado entre mais de 420 mil estudantes que concluíram o ensino médio no ano passado em nove estados, incluindo São Paulo. Na prova de português, a média foi de 10 acertos para 30 questões. Em matemática, a média é ainda menor: de oito acertos.
Uma surpresa foi revelada na avaliação dos alunos: quase 30% dos que concluíram o 2º grau planejavam ingressar no mercado de trabalho, imediatamente ou depois da realização de um curso profissionalizante. Essa era a expectativa de 44% do alunado paulista. Não esperávamos um número tão grande, reconheceu o ministro Paulo Renato, explicando que, tradicionalmente, o 2º grau abrigava a classe média, cuja meta principal era a universidade.
O ensino superior ainda é almejado por quase 38% dos estudantes, mas, hoje, 53% do alunado vêm de famílias com renda inferior a R$ 720,00 e consideram o 2º grau um passaporte para o mercado de trabalho. Para esses estamos ampliando e reformando o ensino técnico, disse.
A avaliação de concluintes do ensino médio foi realizada em novembro entre 429.755 alunos da 3ª série dos cursos acadêmico e técnico do Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe, além de São Paulo.
Fizeram testes de português 144.343 estudantes. Ninguém acertou as 30 questões. Uma das principais dificuldades dos alunos foi estruturar o texto.
Em matemática, os 133 mil estudantes que fizeram exames revelaram problemas com números complexos e trigonometria. Em geral, os jovens de cursos acadêmicos que estudam de dia têm melhor desempenho que os dos cursos técnico e noturno. Em matemática, por exemplo, a média de acertos no diurno foi de oito para 30 questões, enquanto os alunos da noite obtiveram a média de 7 acertos.
Metade dos avaliados estava fora da faixa etária esperada no final do 2º grau, entre 17 ou 18 anos, e esses tiveram pior desempenho. Nos cursos noturnos a situação também é pior.
O ministro Paulo Renato disse que os governos devem investir mais na qualidade do 2º grau. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) abrirá uma linha de financiamento de R$ 2,5 bilhões em cinco anos para melhoria dos ensinos médio e técnico. O Ministério da Educação quer ainda o apoio do BID para montar um centro de criação de material pedagógico em português e matemática, tais como vídeos e softwares.
Até a estrutura física tem de ser melhorada, porque o que se vê são classes de 2º grau improvisadas em escolas de 1º grau. Isso pôde ser comprovado pelo fato de 28% dos alunos do curso noturno nunca terem trabalhado. Estavam lá por falta de oferta no diurno, afirmou o ministro Paulo Renato Souza .
A avaliação feita em nove estados foi uma espécie de prévia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado pela primeira vez este ano, no final de agosto. O Enem é optativo e as universidades poderão adotar o resultado do aluno como critério para seu ingresso na universidade.


