Belo Horizonte, 07 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, considerou hoje, em Belo Horizonte, um "desatino" a crítica feita na quarta-feira (05) pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de que o salário mínimo, em 1940, valia sete vezes mais do que hoje. "Eu ouvi com perplexidade o presidente de honra de um importante partido dizer uma coisa dessas num programa de televisão", disse.
Malan voltou a criticar a politização da discussão sobre o novo valor do salário mínimo. Lula fez a declaração na quarta-feira, no "Programa do Jô", da Rede Globo de Televisão, do apresentador e humorista Jô Soares. O ministro da Fazenda afirmou que também considera muito baixo o valor do mínimo - 151 reais -, mas que isso não se resolve de uma maneira voluntariosa. "Nós não estamos buscando popularidade fácil; nós não somos demagogos; esse governo está em busca de um desenvolvimento sustentável", afirmou Malan, que voltou a ressaltar que cada o aumento de 5 reais no salário mínimo, a partir de 145 reais, significa R$ 1 bilhão a mais de gastos para o governo central.
Sobre as declarações do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que disse hoje, em Salvador, que o ministro precisaria viver uns três ou quatro meses com um salário mínimo para saber o que se pode comprar com 151 reais, Malan esquivou-se. "Eu não costumo fazer declarações a respeito de outras declarações; estou preocupado em discutir a substância do problema, não uma frase de efeito dita por A ou B."
O ministro reclamou que foi mal-interpretado quando disse, na comissão mista do Congresso que examina a medida provisória (MP) do mínimo, que a proposta de reajuste salarial do governo seria o bastante para que o trabalhador pagasse a cesta básica e sobrariam ainda 20 reais.
Malan defendeu-se das críticas, com dados. Segundo ele, desde a adoção do Plano Real, a cesta básica, que custava 106,95 reais, teve um reajuste de 23%, e custa, hoje, 131,30 reais. No mesmo período, ressalta o ministro, o salário mínimo teve um reajuste nominal de 133%: valia 64,79 reais e passou a valer 151 reais, o que representa um aumento de 89% no poder de compra do trabalhador. "Isso não é desprezível em nenhum lugar do mundo"
afirmou.

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