Porto Alegre, 16 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, definiu a reforma ministerial anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como "a montanha que pariu um rato". Segundo ele, o Palácio do Planalto mexeu nos ministros mas deixou intocada a equipe econômica e a orientação anterior. Desse modo, diz, a agricultura e a indústria não reagirão e o desemprego continuará elevado. "É um desastre", disse. A seu ver, o presidente usou a troca de ministros apenas como um lance de marketing político. Na prática, segundo ele, "trocou seis por meia dúzia". O petista chegou hoje ao Rio Grande do Sul para reforçar a mobilização popular pela instalação da CPI da Telebrás e a campanha pelo impeachment de Fernando Henrique.
Para Lula, o fato de Fernando Henrique, em seu discurso, ter enfatizado a primeira pessoa, revelou "um problema de autoafirmação". Para o dirigente do PT, "toda pessoa que está sem autoridade moral tenta passar a idéia de coragem, de força e de mando com esta prepotência", analisou. "No imaginário da opinião pública já está praticamente consagrada a idéia de que Fernando Henrique Cardoso não manda nada."
Lula identificou semelhanças entre a reforma ministerial de Fernando Henrique e o segundo ministério de Fernando Collor de Mello. Na sua opinião, o presidente tucano vive um momento semelhante ao do presidente afastado. "O que levou o Fernando Henrique a pensar em mudar o ministério foi uma tentativa de recuperação da sua imagem", avaliou. "Então transformou a troca de ministério numa jogada de marketing", insistiu.
"Qual é a novidade? É o Pratini de Morais, ex-ministro do Médici (Garrastazu Médici, do período da ditadura militar) e do Collor?", ironizou. "Ele (FHC) tem a pior articulação política da história do país."

mockup