O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva (foto), afirmou que foi ‘‘eminentemente político’’ o julgamento em que o líder do MST no Pontal de Paranapanema (SP), José Rainha Júnior, foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão. ‘‘Muitos jurados eram comprometidos com os fazendeiros, e não apareceu nenhuma testemunha de acusação, mas, mesmo assim, eles o consideraram culpado’’, protestou o dirigente petista antes de entrar para uma reunião dos partidos de oposição, na Câmara. Segundo Lula, o resultado do julgamento de ontem será ‘‘modificado em setembro’’, no novo júri.
O advogado de Rainha, o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), afirmou que a defesa não se conformou com o resultado do júri. ‘‘Tentamos todo o tempo trazer a questão do caminho político para o jurídico, mas nem por isso o resultado foi outro’’, declarou Greeenhalgh. Ele adiantou que teme que, no próximo julgamento, ‘‘a defesa enfrente os mesmos problemas’’.
Para a platéia, durante o julgamento, parecia que a defesa estava em vantagem, pois logo no início, três testemunhas de acusação não apareceram e provas anexadas pela promotoria no último dia de prazo legal foram retiradas a pedido da defesa.
O outro advogado de defesa, Aton Fon Filho, afirmou que o resultado não foi de todo surpreendente. ‘‘Até me dou por satisfeito, porque pelo menos três jurados foram convencidos por nós’’. Jucilande Borges, um dos assistentes de acusação, disse que Rainha foi condenado porque ficou demonstrado ao júri as contradições nos depoimentos das testemunhas de defesa.

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