Porto Alegre, 15 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso não está "nem um pouco preocupado" com a seguridade social e sim, interessado "em dar o primeiro passo para privatizar a Previdência Social". Lula entende que isto "é o que está por trás" da polêmica sobre a reforma previdenciária. "A reforma não pode ser para tapar buracos e sim, pensando no próximos 40 ou 50 anos do sistema", criticou Lula, que fez palestra na Federação das Associações Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), na capital gaúcha.
O líder petista notou que o governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, não deverá comparecer à reunião de amanhã (16) com FHC, caso as conversas se limitem à questão da Previdência Social. Zeca do PT será o representante dos governadores do partido no encontro.
Lula disse que, na próxima semana, o presidente nacional do partido, deputado José Dirceu (SP), deverá convocar uma reunião dos governadores petistas com a bancada federal para definir uma posição uniforme sobre a questão dos inativos. Ele admite uma discussão aberta sobre o tema da contribuição dos inativos. Lula disse que, "num momento de emergência", a cobrança poderia ser feita. Acha que, se o dinheiro da contribuição fosse bem empregado, os próprios inativos entenderiam a cobrança. "Se fosse algo sério, eles compreenderiam", comentou. "Não podemos nos precipitar na discussão, se é para cobrar ou não cobrar", recomendou.
Mas acentuou que a questão da seguridade é "menos de despesa e mais de receita", notando que 30% daqueles que deveriam pagar a Previdência Social deixam de cumprir a obrigação. Historicamente, o dinheiro da Previdência Social teria servido a outros fins, de acordo com Lula. "Usaram (os recursos) para fazer a Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói e nunca devolveram", assinalou. Ele sublinhou que o desemprego criou uma situação de informalidade em que apneas um terço da população economicamente ativa contribuiria para a Previdência Social. O presidente de honra do PT, assegurou, porém, que "se o governo quiser conversar seriamente", o PT está disponível para um debate "a partir do zero". Ele recordou que, há seis anos, existe um projeto do PT sobre o assunto (do deputado federal Eduardo Jorge, de São Paulo), com colaboração de outros parlamentares petistas). "Não queremos o DNA da proposta", enfatizou.

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