Para Lula, candidatura de Brizola pode ser um fracasso
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Vera Rosa 
São Paulo, 21 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou hoje que a provável candidatura do ex-governador Leonel Brizola (PDT) à prefeitura do Rio corre o risco de ser um fracasso. Ele apelou mais uma vez para a unidade das esquerdas. "Existe uma tese equivocada de que os partidos devem lançar candidatura própria para se consolidar, mas isso só é verdade quando há bom candidato e boa votação", afirmou Lula.
"Do contrário, pode ser um fracasso e acho que nem ele (Brizola) nem o PT deveriam correr esse risco."
Brizola foi candidato a vice-presidente da República na chapa liderada por Lula, em 1998. Mas, desde o fim da campanha, vem tendo atritos quase que diários com o PT. Não é só ele: a frente de esquerdas que deu sustentação à candidatura de Lula, formada por cinco partidos (PT, PDT, PSB, PCB e PC do B), está prestes a implodir. "Estamos vivendo uma situação delicada por causa de divergências políticas", resumiu o petista. "Mas vamos conversar com Brizola: não sou homem de guardar ressentimentos."
O líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), admitiu que a situação é muito complicada. "Começamos mal o ano 2000", constatou. Das grandes capitais, a única onde há chance concreta de reprodução da aliança é Belo Horizonte. Lá, o PT deve apoiar o prefeito Célio de Castro (PSB), candidato à reeleição.
O mais recente capítulo da discórdia na seara da esquerda diz respeito ao Rio. Há uma semana, o Diretório Regional do PDT decidiu lançar candidatura própria à prefeitura e o nome indicado, até agora, é o de Brizola. Com essa decisão, foi rompido um acordo entre os dois partidos, fechado em 1998, pelo qual o PDT se comprometia a apoiar a vice-governadora Benedita da Silva (PT), neste ano, à sucessão do prefeito Luiz Paulo Conde (PFL). Em troca, o PT deu aval à candidatura do governador Anthony Garotinho (PDT) ao governo do Rio.
Garotinho está em pé de guerra com Brizola e a saída dele do PDT é uma questão de tempo. O relacionamento entre ele e o cacique pedetista, no entanto, desandou de vez depois da reunião do dia 14. O governador do Rio insiste no compromisso de apoio a Benedita, hoje, vice-governadora. Brizola diz não haver nenhum acordo. "Nesse imbróglio do Rio, quem está certo é o Garotinho", defendeu Lula. "Seria mais justo e mais prudente o Brizola falar que, em 1998, pensava uma coisa e, agora, pensa outra."
As novas declarações de Lula têm endereço certo. O petista quer reaproximar-se do governador fluminense e vai, na próxima semana, ao Rio. Garotinho ficou irritado porque, enquanto ele defendia Benedita, Lula dizia achar "normal" a intenção de Brizola de candidatar-se. Foi uma trombada. Agora, o presidente de honra do PT tenta desfazer o mal-entendido.
O debate em torno das alianças municipais e o esforço concentrado que os petistas prometem fazer para salvar a frente de esquerdas vão dominar a primeira reunião do ano do Diretório Nacional do PT, marcada para amanhã (22) e domingo (23). Além do Rio, o racha da frente é uma realidade em São Paulo, Porto Alegre e Maceió. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, a antiga frente deve ter três candidatos à Prefeitura: Marta Suplicy (PT), Luiza Erundina (PSB) e José Roberto Batocchio (PDT).
"Temo por essa divisão de candidaturas do PT, PDT e PSB e vou trabalhar para que as alianças aconteçam", afirmou Lula. "As disputas deste ano são um alicerce importante para as eleições de 2002." O petista continua com o discurso de que não planeja entrar na corrida presidencial, mas não descarta de vez a possibilidade. Ele disse que, se não for possível reeditar a coalizão de 1998, defenderá um pacto de não-agressão entre os candidatos de oposição. "Dependendo do nível da campanha, os ânimos acirram-se de tal forma que, mesmo quando as direções nacionais fecham acordo, a base fica magoada", observou Lula. "Mas não podemos perder de vista o segundo turno e as eleições de 2002."


