O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Querência do Norte, no noroeste do Paraná, a cerca de 650 quilômetros de Curitiba, Celso Anghinoni, disse ontem que o pacote anunciado pelo governo federal para conter ocupações de terra é uma ‘‘forma de tapeação’’. ‘‘Não acreditamos nas medidas do governo’’, afirmou Anghinoni. ‘‘Ele tem colocado vários pacotes prometendo a reforma agrária, mas nada dá certo.’’
Segundo Anghinoni, na região noroeste do Paraná onde existem 17 áreas ocupadas, a desocupação para fins de vistoria já vinha sendo feita pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Ele afirmou que o movimento também entregou ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), há dois anos, dados sobre várias áreas que poderiam ser desapropriadas na região. ‘‘Essas áreas estão desocupadas, mas a vistoria não foi feita’’, criticou. Na região, o MST tem cerca de cinco mil famílias cadastradas.
Anghinoni disse que o Movimento Sem Terra ‘‘não acredita nesse ministro’’. Segundo Celso Anghinoni, a única forma que o movimento tem para fazer pressão é a ocupação de terras.
‘‘O governo queira ou não, nós vamos continuar fazendo a reforma agrária’’, prometeu. ‘‘Para o governo falta o querer fazer.’’

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