São Paulo, 25 (AE) - O economista e ex-presidente do Banco Central, Carlos Geraldo Langoni, disse há pouco a Agência Estado que a redução de taxas de juros de 45% para 42%, anunciada ontem (24) pelo governo indica que a inflação não terá um comportamento explosivo no primeiro semestre. "O que baliza a redução da taxa de juro é a baixa inflação" afirma.
Ele resaltou, no entanto, que o que importa para economia é a queda da taxa real de juros e que vem despencando porque a inflação em fevereiro e março não indica alta. "O ideal é reduzir a taxa de juro real e nominal acompanhada de uma queda de inflação o que significaria menor risco para o Brasil" afirma. Pelas contas do economista hoje o juro real está em torno de 20% e até o final do ano "deverá oscilar entre 10% e 15%".
Langoni traça um cenário otimista para o Brasil. Ele acredita que o risco cambial ainda é muito pequeno e que a tendência é de o câmbio se estabilizar entre US$1,70 a no máximo US$1,82 até o final do ano. "A estabilização de linha de crédito também sinalizada pelo FMI garante a previsão de investimentos diretos estrangeiros entre US$ 15 e US$18 bilhões" afirma o ex-presidente do BC. Ele acredita ainda que a balança comercial deverá fechar entre US$5 e US$ 8 bilhões sem perdas adicionais a curto prazo. Langoni disse ainda que o financiamento externo também está equacionado "a não ser que haja algum fato externo imprevisível". Segundo Langoni, a queda do juro real vai criar condições para retomada do crescimento da economia e dará condições de o Brasil equacionar o financiamento da dívida externa. "O que falta é maior objetividade por parte do governo mostrando que o Brasil resolveu a questão da dívida interna, ou seja, uma evidência de como vai se comportar a receita, arrecadação e gastos públicos daqui para frente" afirma.
A preocupação do economista neste momento é em relação ao reajuste do salário mínimo. Ele defende o aumento de no máximo 5%. "O governo irá dar um tom de austeridade ao enfrentar essa realidade" afirma. O segundo ponto, ressalta, é em relação a indexação. Ele defende ainda uma reforma tributária mais profunda. "Ganhamos uma sobrevida em função do apoio externo e cabe ao país mostrar que temos condições de implementar o ajuste fiscal que já conta com um atraso de 3 anos. Os aumentos de impostos são distorcidos. Este ajuste tem que ser substituído por uma reforma profunda fiscal e previdenciária. Quanto ao PIB, Langoni projeta um crescimento negativo entre 3% e 4% para este ano. "Se o ajustamento eficiente for viabilizado o PIB voltará a crescer no ano 2000 entre 2% e 3%". Langoni participa de um seminário intitulado "O Brasil e a realidade internacional", no Hotel Sofitel, em São Paulo. O evento está sendo realizado pela Associação Paulista de Supermercados (APS) com participação de supermercadistas e fornecedores.
O economista, Carlos Geraldo Langoni, prevê um crescimento assimétrico da economia neste primeiro semetre com ligeira recuperação a partir de julho. Ele acredita que este crescimento será desigual entre os setores da economia. "Aqueles segmentos que dependem de financiamento de crédito terão desempenho muito pobre" afirma. A seu ver o setor de bens duráveis e automobilísticos sofrerão os maiores ímpactos, apesar do automobilístico "ter ganho fôlego com redução de impostos". Langoni acredita que a área de bens de capital terá crescimento negativo, mas "terá certo espaço devido à manutenção de investimentos em setores de peso como telecomunicações e energéticos, que continuam se beneficiando de grandes investimentos".
O setor de consumo, explica, como supermercados por exemplo continua com crescimento pequeno, mas sem quedas acentuadas. "No ano passado os supermercados cresceram 5%. É provável que no primeiro semestre tenha desempenho negativo voltando a crescer no segundo semestre". Segundo Langoni o crescimento da economia, neste ano, deverá ficar entre -3% e -4%.

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