Para Koehler, processo de escolha do chefe do FMI precisa ser reexaminado Do correspondente Paulo Sotero17/Mar, 19:00 Washington, 17 (AE) - O futuro diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o alemão Horst Koehler, trará pelo menos uma mudança de estilo em relação a seu antecessor, o francês Michel Camdessus. Em sua primeira entrevista coletiva, hoje, Koehler mostrou que é um homem de respostas curtas e sem floreios. Um bom exemplo é o que disse ao ser perguntado pela Agência Estado sobre as críticas ao processo que levou à sua escolha para comandar o Fundo. "Eu concordo que esse processo não foi o melhor que se poderia imaginar", disse ele. "E não hesito em dizer que esse processo deve ser revisto." Atual presidente do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, sediado em Londres, Koehler deverá ser formalmente eleito na próxima terça-feira. Ele passou a semana em Washington em consultas com a alta administração do FMI, com os 24 membros da diretoria executiva que sacramentarão sua escolha e com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers. Ele teve um encontro separado com os 11 diretores-executivos que representam os países em desenvolvimento no FMI. Os dois outros candidatos, o japonês Eisuke Sakakibara e o norte-americano Stanley Fischer, primeiro vice-diretor-gerente e atual chefe interino do FMI, retiraram-se esta semana em favor de Koehler, depois de uma dura luta de bastidores que apenas desgastou a instituição. Segundo o futuro diretor-gerente, Fischer concordou em permanecer como número 2 "e espero trabalhar com ele por algum tempo". Ele foi lacônico sobre seus planos. Disse que, no momento, está mais interessado em ouvir do que em falar sobre o rumo que o Fundo deve seguir. Mas adiantou que a prevenção de crises continuará no centro das preocupações da instituição. "Isso se faz através do monitoramento macroeconômico dos países membros", disse. Exibindo um crachá de "visitante" no paletó, Koehler enfatizou várias vezes, durante a entrevista, a importância do crescimento econômico. "O perdão das dívidas (dos países mais pobres) não faz sentido na ausência de crescimento e de reformas econômicas", disse ele, indicando o rumo das políticas que pretende promover. Ele evitou se manifestar sobre propostas de reforma do FMI, mas disse que procurará, como diretor-gerente, pretende promover "uma maior divulgação de informações" e "um diálogo mais aberto o público e as organizações não governamentais", pois considera obrigação do Fundo explicar o que faz. "Mas o diálogo com as ongs não deve enfraquecer as instituições democráticas dos países membros", afirmou . Koehler disse que, em sua gestão, o FMI manterá sua disposição de trabalhar de maneira construtiva com a Rússia, que é hoje o principal tomador de seus empréstimos. Mas Moscou precisará exibir "resultados concretos" de reformas para continuar a merecer o apoio da instituição, disse ele.

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