São Francisco, 29 (AE) - Mesmo que a Lua não tenha água, o idealizador e chefe da equipe do projeto Lunar Prospector, Alan Binder, acha que a exploração comercial do satélite está próxima.
As amostras de rocha lunar trazidas para a Terra revelaram que elas contém 43% de oxigênio. "Nós podemos fazer água queimando hidrogênio e oxigênio", explicou.
Extremamente entusiasmado com as perspectivas, Binder contagia seus interlocutores ao acenar com as possibilidades de recursos vindos da Lua. Ele já tem vários projetos de exploração comercial do satélite.
"Mas, se queremos explorar o solo lunar, por exemplo, o hidrogênio revelado por essa e outras missões, precisamos saber exatamente do que se trata", explicou à Agência Estado, lembrando que todas as visitas tripuladas à Lua, juntas, não resultaram em mais do que três dias de trabalho.
"Você já imaginou se alguém trabalha três dias no solo do Brasil, em épocas diferentes e em regiões diferentes?", perguntou. "Você acha que esses três dias dariam uma boa idéia do que existe no Brasil em termos geológicos e minerais?"
O diretor do Ames Research Center da Nasa em Massachusetts, Henry McDonald, avaliou que, independentemente do resultado desse experimento, o Lunar Prospector já proporcionou "uma mina de ouro" de dados científicos: mapas globais dos campos magnético e gravitacional da Lua, distribuição de seus elementos-chave e o primeiro mapa gravitacional preciso de toda a superfície lunar.
A missão também confirmou a presença de campos magnéticos locais que criam duas das menores magnetosferas do sistema solar. Ela tinha cinco instrumentos científicos e resolução de imagems e informações de 60 quilômetros quadrados. Tudo isso é infinitamente superior aos dados da missão Apollo, que fez apenas medições equatoriais da Lua.
Perpectivas - Mesmo com os poucos dados disponíveis sobre a Lua, Binder já acredita que as possibilidades econômicas são imensas. Há pelo menos três atividades comerciais que uma estação lunar poderia proporcionar e ele acha que a mais atraente delas é a exploração de hélio 3, uma substância raríssima na Terra e fundamental para a fusão nuclear. Cientistas de todo o mundo têm trabalhado na tentativa de reproduzir a criação de energia pelo Sol, que explode permanentemente como várias bombas H.
"O combustível ideal para fazer a fusão nuclear, que produziria uma energia limpa, livre de poluição e farta, para todo o planeta, é justamente o hélio 3, que praticamente não existe na Terra ou no resto do sistema solar", ponderou Binder, acrescentando que a substância "vale trilhões de dólares e proveria muitas décadas de energia para a Terra".
Mas essa é apenas uma possibilidade. A segunda também envolve o fornecimento de energia para a Terra. "Poderíamos usar o alumínio e o silício disponíveis na Lua para construir enormes painéis solares, de 10 quilômetros de extensão, e depois transmitir por microondas para a Terra a energia assim coletada", disse o cientista. Seria também possível, acrescentou, construir esses painéis em estações espaciais e deixá-los em órbita da Terra.
"Mas o transporte da matéria-prima para o espaço e a construção dos painéis em estações espaciais custaria 20 vezes mais do que utilizar o material já disponível na Lua", explicou Binder.
A terceira possibilidade de atividade econômica rentável tem a ver com a indústria eletrônica e os cristais de quartzo produzidos em laboratório para produtos sofisticados como a fibra óptica - mas também em televisores, rádios, gravadores, computadores e outros produtos da indústria eletrônica.
"A qualidade dos cristais é infinitamente superior quando sua produção ocorre em gravidade zero ou próxima de zero", afirmou. "A Lua dispõe das matérias-primas necessárias, com a vantagem adicional de uma gravidade correspondente a um sexto da terrestre."
Além disso, ele antevê que a empresa, ou empresas, que financiarem a estação lunar poderão ganhar dinheiro levando ao espaço candidatos a astronautas de países que não têm programas espaciais. "Sei que o Brasil, por exemplo, quer muito mandar brasileiros ao espaço", disse Binder. "Avise lá que, quando essa estação estiver pronta, é só o país contribuir com US$ 200 milhões anuais e a gente coloca quem o País quiser na estação lunar."

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