São Paulo, 24 (AE) - O especialista em economia agrícola da Universidade de São Paulo, Fernando Homem de Melo, disse que o ajuste feito pela Conab em seu terceiro levantamento de safra divulgado ontem (23) já era esperado em função de problemas climáticos. A Conab estimou que a produção total de grãos em 98/99 deve somar 83,765 milhões de toneladas. A média de produção prevista no primeiro levantamento era 84,711 milhões de toneladas e a do segundo, de 83,788 milhões de toneladas.
Segundo Homem de Melo, a revisão se deveu principalmente à quebra da safra de milho do Rio Grande do Sul por causa da estiagem de novembro passado. A nova estimativa indica uma produção total de milho (primeira safra e safra de inverno) de 32,655 milhões de toneladas este ano.
A média de produção projetada no primeiro levantamento era de 34,083 milhões de toneladas e a do segundo, 33,617 milhões de toneladas, de acordo com Homem de Melo.
Ele afirmou que com o ajuste feito pela Conab na estimativa do milho, o número deve estar agora "bem próximo da realidade".
Diante da produção estimada para o milho e da perspectiva de redução de consumo do grão por causa da retração na economia, Homem de Melo diz que a grande dúvida agora é se haverá necessidade de importar o grão este ano, e se houver, qual o volume. "Com este quadro, ninguém vai sair correndo para importar", afirmou. Em 98, a importação de milho somou 1,810 milhão de toneladas, segundo a Conab.
O professor da USP estimava antes da desvalorização um consumo de quase de 37 milhões de toneladas de milho, mas agora está trabalhando com o número de consumo projetado pela Conab, de 35 milhões de toneladas, que considera "bem razoável".
Ele acredita que o consumo de milho pelas agroindústrias deve diminuir, uma vez que a queda de 3,5% prevista para o PIB deve gerar desemprego, redução do poder aquisitivo e consequente retração do consumo de proteínas animais.
Segundo Homem de Melo, a "única saída é a exportação de frango", mas ainda que o volume das vendas externas aumente entre 10% e 15%, isso não deve ser suficiente para neutralizar a retração no consumo interno.
Para Homem de Melo, o mercado de milho deve ficar "bem ajustado" este ano, considerando uma produção nacional total de 32,655 milhões de toneladas e um estoque oficial de cerca de 1,8 milhão de toneladas, segundo a Conab. Os dois números somam 34 455 milhões de toneladas, bem próximos dos 35 milhões de toneladas estimados para o consumo.

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