Para Grandão, proposta não avança nas questões estruturais
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 18 (AE) - O coordenador da bancada do PT na Comissão de Agricultura da Câmara, João Grandão (MS), avalia que a proposta de renegociação das dívidas dos produtores rurais apresentada pelo governo resolve os problemas conjunturais dos pequenos agricultores mas não avança nas questões estruturais.
O deputado afirma que o governo não tem uma política agrícola definida para os pequenos produtores, que se descapitalizam com muita facilidade e têm muitas dificuldades para absorver até mesmo os juros mais baixos do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf).
Grandão observa que a descaptalização dos pequenos produtores não possibilita a recuperação da terra, que fica menos produtiva a cada safra, fechando um círculo vicioso. Além disso, diz o deputado, o produtor não tem garantia de preço mínimo, o que provoca um descasamento entre sua dívida e a renda proporcionada com a venda da safra.
"Quanto mais endividado, menos possibilidades o produtor tem de acesso ao crédito", conclui, acrescentando que essa situação leva o pequeno produtor a deixar o campo para conseguir um emprego na cidade que lhe proporcione uma renda de pelo menos um ou dois salários mínimos.
"O governo precisa apresentar uma proposta que não seja protelatória", aconselha o deputado, argumentando que essa é a única maneira de desmobilizar o "caminhonaço", que desde segunda-feira ocupou a Esplanada dos Ministérios. "O pequeno produtor não sobrevive sem subsídios para produzir", afirma Grandão.


