Para governador, Estado deve julgar os crimes
Agência Estado
De Belém
O governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), criticou ontem a intenção do secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori, de transferir os crimes contra os direitos humanos para a Justiça Federal. Se isso ocorrer, o massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 sem-terra foram mortos por policiais militares, sairia da Justiça estadual. Vejo isso com restrição, porque se somos uma federação temos é que fortalecer a Justiça em todos os seus planos e estabelecer uma hierarquia adequada. Isso é fundamental; é o que constrói uma nação.
Segundo o governador, que prestou essas declarações em um quartel do Exército, em Belém, durante solenidade em comemoração ao Dia do Soldado, a Justiça Federal precisa dar a homogeneidade necessária para que realmente melhore o acesso à justiça por toda a população. Ele disse que citaria alguns exemplos para defender sua opinião: Carandiru, Candelária e Corumbiara, por que não resolveram até hoje?
Para o governador, é necessário um esforço para a desconcentração e não a concentração. O fato de concentrar exageradamente em Brasília, observou, imobiliza o país, e isso é um fato claro. A reforma agrária não foi também resolvida por causa da concentração em Brasília. Quanto mais concentra lá, mais distancia da realidade de cada Estado.
Questionado sobre a absolvição do coronel Mário Pantoja, do major José Maria Oliveira e do capitão Raimundo Lameira, acusados de comandar o massacre, o governador foi taxativo: Minha postura diante de tudo que está acontecendo e do que aconteceu é de total, completa e absoluta discrição, porque se eu sou uma testemunha da Justiça, não posso estar emitindo opinião, e as pessoas precisam entender isso.
Se falar sobre o caso, acrescentou Gabriel, ele pode concorrer para a nulidade ou o atropelo do julgamento. Ao contrário de tantos outros Estados ditos bem mais adiantados que não resolveram seus problemas, o Estado do Pará mostrou que pode fazer e chegar até o julgamento.





