Porto Alegre, 17 (AE) - O presidente do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, associa a queda da popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso, expressa nas últimas pesquisas de opinião, ao impacto da adoção do regime de câmbio livre, no início deste ano. "A adaptação a esta transição é que está levando em grande parte a esta redução da credibilidade", disse o empresário, logo após a abertura do 23º encontro do Programa Gaúcho da Qualidade, do qual é coordenador.
Johannpeter também faz ressalvas à idéia de que estaria faltando "autoridade" a Fernando Henrique na condução do governo. Segundo ele, o Brasil vive um "processo" de definição de "regras globais" de trabalho. "Ainda estamos acostumados a um regime paternalista em que o povo quer ouvir todo o dia do presidente o que fazer", avalia.
Na opinião de Johannpeter, o País "demorou um pouco demais" para mudar o regime de flutuação do dólar e "ainda está aprendendo a trabalhar com o câmbio livre". Para ele, os saltos na cotação da moeda norte-americana registrados nos últimos dias derivam de fatores "psicológicos" do mercado. "Dentro de uma visão de balança comercial, a desvalorização do dólar já ultrapassou em muito as necessidades", afirmou.
O empresário reconhece que a situação do País é "difícil", mas vê perspectivas de recuperação da imagem do presidente da República "num segundo momento". Primeiro seriam necessárias melhorias na economia, favorecidas por "fatores positivos" como a substituição do déficit primário de 1% por um superávit próximo de 3%, conforme anunciado pelo governo, afirma.
Johannpeter ressalva, porém, que a "grande expectativa" é saber se este desempenho é "sustentável" ou não. "Os resultados são lentos mas virão. Como o governo conta com um tempo largo pela frente, terá oportunidade de reverter a situação", acredita.

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