Para Genoíno, Everardo Maciel deu novo ânimo à CPI dos Bancos
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Denise Ramiro 
Porto Alegre, 21 (AE) - O deputado federal José Genoíno (PT-SP) disse hoje que o depoimento ontem do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, deu "um ânimo novo" à CPI do sistema financeiro. Segundo ele, os dados fornecidos por Everardo "que não é um esquerdista" à CPI mostram que o País deixa de arrecadar 10% do seu PIB por sonegação, informalidades e leis que dão brecha a isso. Ele disse que não é o assalariado e o autônomo que deixam de pagar, mas exatamente o setor mais rico, que está no topo da economia. Segundo Genoíno, outros dados levantados pela Câmara mostraram que das 100 maiores empresas que pagam a CPMF, metade não declara imposto de renda.
Em seu discurso feito há pouco para construtores durante o 70º Encontro Nacional da Construção (Enic), que se encerra hoje em Porto Alegre, o deputado disse que o setor da construção civil é obrigado a arcar com uma carga tributária pesada quando os bancos pagam "ninharia". "Tem setor da economia que não quer ceder em nada para viabilizar o pais socialmente". Em relação a isso, o deputado disse que a oposição está defendendo a flexibilidade do sigilo bancário e fiscal no combate a sonegação e a idéia de Everardo Maciel de criar um imposto de solidariedade com a finalidade de enfrentar o apartheid social.
Ele lembrou que no pós-guerra a Europa adotou esse imposto para reconstruí-la e o imposto solidário é adequado para nós que vivemos uma guerra social não declarada. Segundo ele, o número de mortes em São Paulo e no Rio de Janeiro nos finais de semana é maior do que na guerra da Iugoslávia.
De acordo com o deputado, a CPI está vivendo um dilema: ou avança ou vamos limitá-la a apenas a alguns casos. Segundo ele o fato de o ministro da Fazenda, Pedro Malan, não depor na CPI é um sinal de controle da comissão. "O não depoimento dele já foi um acordo para abafar a CPI." Para Genoíno, o depoimento de Malan era fundamental para a comissão a partir do momento que o seu subordinado, o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, não esclareceu a operação feita com os bancos Marka e Fonte Cindam. "A situação de Malan fica difícil. Se ele sabia da operação é um problema grave e se não sabia não era ministro de fato."


