Para Franco, credibilidade está atrelada à questão fiscal
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 29 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco disse hoje que o sistema de metas inflacionárias foi adotado em alguns países como forma de "neutralizar" atuações tidas como "muito agressivas" de bancos centrais em suas políticas de combate à inflação. Pensando no Brasil, Franco acredita que esse aspecto é "muito preocupante" porque o País não está no ponto "de relaxar" nas suas políticas de combate à inflação. Segundo ele, um dos problemas brasileiros é o estabelecimento de metas que desde o início sejam factíveis de serem cumpridas, o que retira a importância da política em si. De acordo com o ex-presidente do BC, o sistema de metas inflacionárias é apenas um sistema de política monetária que poderia ser adotadao pelo Banco Central, "qualquer um poderia ser bom". Ele acha que está se dando muita importância ao sistema, quando o real problema a ser enfrentado pelo governo é o ajuste fiscal. Sobre o déficit fiscal relativo ao mês de maio
divulgado neste mês, Franco disse não ter se surpreendido à medida que "sustos são normais numa trajetória tão precária" de ajuste fiscal como a adotada pelo Brasil. Ele acha que a credibilidade do País está atrelada ao desempenho fiscal e não à adoção do novo regime de política monetária. Segundo Franco, os investidores se acostumaram a promessas de ajuste fiscal não cumpridas e hoje centram sua atenção nesse ponto. Gustavo Franco participa do seminário "Câmbio Flexível e Inflation Target" promovido pela Abrap (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada).


