Washington, 08 (AE) - As economias emergentes ainda não reconquistaram a confiança dos investidores estrangeiros e continuam especialmente "vulneráveis a choques externos". O alerta foi feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), num relatório divulgado hoje, no qual analisa o comportamento dos mercados de capitais mundiais.
Um desses "choques" seria a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, que já subiram duas vezes nos últimos quatro meses, e queda da bolsa americana. Outro é o pânico em relação ao "bug do milênio" - um problema nos computadores do mundo, que está levando operadores de bolsa a anteciparem suas transações.
"Muitos países latino-americanos realizaram reformas estruturais importantes", disse Donald Mathieson, chefe da Divisão de Estudos de Mercados Emergentes do FMI e um dos autores do relatório. Mas, segundo ele, os investidores querem saber o que vai acontecer nos EUA, antes de investirem na região. "Acham que quando os Estados Unidos espirram, a América Latina pode ficar resfriada", acrescentou.
A próxima reunião, para definir se haverá ou não outro aumento das taxas de juros americanas, será em outubro. Mas no relatório, o FMI traça um quadro pouco otimista. "Muitos investidores, que entraram nos mercados emergentes, fugiram e podem não voltar rapidamente", diz.
Os números demonstram que em 1998, os fluxos de capitais privados para os mercados emergentes foi de US$ 64,3 bilhões - menos da metade dos US$ 149,2 bilhões de 1997 e menos de um terço dos US$ 212,1 bilhões de 1996. No caso do Brasil, esses fluxos caíram nos últimos três anos de US$ 35,2 bilhões, para US$ 20,5 bilhões, e finalmente para US$ 17,1 bilhões.
Segundo Mathieson, este ano houve certa retomada dos fluxos de capitais para os mercados emergentes: subiram de US$ 32 bilhões, nos primeiros quatro meses, para US$ 49,7 bilhões no segundo quadrimestre. Mas o comportamento dos investidores tem sido errático: se em junho, os fluxos de capitais chegaram a US$ 17 bilhões, em julho caíram para US$ 13 bilhões.
O FMI prevê que - com ou sem reformas estruturais e uma retomada do crescimento da economia mundial maior do que o incialmente previsto pelo próprio Fundo (2,8% este ano e 3,4% em 2000) - os países em desenvolvimento ainda estão numa situação frágil e com pouco acesso a fontes de financiamento externo. E suas economias continuarão sendo afetadas por altos níveis de spread e de volatidade nos mercados de capitais.

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