São Paulo, 07 (AE) - A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) não acredita em aumento de preços de produtos industrializados em função da retomada de atividade econômica, apontada por alguns indicadores econômicos. Para o coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), Heron do Carmo, não há espaço para o aumento de preços. "O rendimento médio das famílias não se recupera na mesma velocidade que a atividade produtiva", justificou. Para ele, as variações de preços que têm sido verificadas ocorrem em função das promoções de supermercados e, no caso de alguns alimentos, por fatores sazonais.
Mesmo com a pressão de custos de algumas matérias-primas e possivelmente de embalagens, as indústrias hoje, na sua avaliação, tem maior flexibilidade para compor os preços, já não trabalham mais com margens de lucro rígidas e não conseguem repassar diretamente os aumentos ao consumidor. Além disso, neste momento de transformação nas relações comerciais a empresa que consegue ganhar mercado tem imensa vantagem dentro do cenário de acirramento da competição. E esta espaço só pode ser conquistado, segundo Heron, com a prática de preços atraentes.
"Se a empresa dá a oportunidade ao consumidor de experimentar outro produto, corre o risco de perder cliente", argumentou. A concorrência de grupos multinacionais, que chegaram em larga escala ao Brasil, colaboraram para esta transformação, na medida que fazem planejamento de longo prazo, sem visar retorno imediato. "Aqueles que permanecem em uma posição rígida de não rever preços perdem consumidor", concluiu o economista.
Embalagens - O setor de embalagens está prometendo um reajuste de preços para este mês e o próximo para repassar a elevação do custo de algumas matérias-primas que tiveram alta no mercado internacional. Segundo o presidente da empresa Dixie Toga, maior fabricante de embalagens plásticas do País, Walter Schalka, todas empresas do setor estão trabalhando com margens apertadas e não têm como absorver os aumentos impostos pelos fabricantes. No primeiro trimestre deste ano, os preços das embalagens já subiram entre 5% e 10%. Estes percentuais, explicou Schalka, não embutem todo o aumento sofrido pelas commodities, principalmente o alumínio, o petróleo e o papel e celulose.
O coordenador do Grupo de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e dono da Indústria de Papel e Papelão São Roberto, Roberto Nicolau Jeha, estima que as embalagens terão um aumento mínimo de 10% em maio, como reflexo da elevação de preços e escassez de matéria-prima. "Não vamos ter oferta suficiente para atender a demanda", explicou, acrescentando que deve chegar a 93% a utilização da capacidade instalada no próximo mês, quando habitualmente há um aquecimento da atividade do setor.

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