Para Fidel, encontro de Elián com pai é "vitória" para Cuba.
Havana, 23 (AE-AP) - O líder cubano Fidel Castro considera o reencontro do garoto Elián González com o pai, em Washington, "uma vitória" e a "trégua" com os Estados Unidos. "Não quero falar em vitória, porque os cubanos não devem se vangloriar desses resultados. Isso poderia dar argumentos à máfia de Miami", afirmou, referindo-se aos refugiados cubanos que vivem em Miami. "É um alívio que Elián tenha sido retirado do circo onde estava. Este menino vivia em um inferno".
O garoto Elián foi retirado sábado da casa de seus parentes, em Miami, onde se encontrava há cinco meses, por um efetivo policial do Serviço de Imigração e Naturalização, que o entregou ao pai, Juan Miguel González, que está em Washington. Fidel Castro lembrou também que é cedo para manifestações de alegria, porque ainda faltam alguns trâmites para que Elián, acompanhado do pai, volte definitivamente a Cuba.
Os trâmites a que se refere Castro é o julgamento do recurso apresentado pelo tio-avô do garoto, Lazaro González, solicitando asilo a Elián. Esse recurso deve ser julgado dia 11 de maio, em Atlanta, mas Castro diz estar preparado para novos embates judiciais, uma vez que "a máfia" de Miami apóia Lazaro e "pode apresentar novos recursos, podem inventar coisas que adiem o regresso da família".
O presidente cubano elogiou a atuação de seu colega norte-americano, Bill Clinton, mas ressalvou que isso se deveu ao fato de ele "não ser candidato. Os aspirantes à Presidência dos Estados Unidos, todos, praticamente sem exceção, tinham uma péssima posição a respeito do regresso de Elián". Castro dedicou elogios também à opinião pública norte-americana: "Há dois momentos na história dos Estados Unidos em que a população teve papel definitivo: na guerra do Vietnã e neste episódio".





