Brasília, 26 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje (26) no programa Roda Viva, da TV Cultura, que o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes "deveria ter falado" na sessão da CPI do Sistema Financeiro para a qual fora convocado, em vez de recursar-se a assinar o termo de compromisso.
Mas o presidente avaliou que o fato não deve ter consequência para o governo. "Respingar no governo eu não digo que vá acontecer, pois ele não é governo." O presidente disse desconhecer os fatos que levaram Francisco Lopes a não depor na CPI.
A indicação de Francisco Lopes para a presidência do Banco Central no lugar de Gustavo Franco, foi mal explicada pelo presidente. "Eu não fritei ninguém", garantiu ele, diante de pergunta sobre o tratamento dado a Gustavo Franco, no período que antecedeu o alargamento da banda cambial.
"Não se esqueçam que tivemos momentos difíceis, grampos no BNDES, houve afastamento de pessoas que tinham diálogo comigo. O Chico Lopes não tinha diálogo comigo, também não falava com frequência com o Gustavo Franco. A preocupação era como sair do temporal", acrescentou.
Decidido a alargar a banda, por julgar que não "dava mais para aguentar" a política mantida até então, mudança defendida por Chico Lopes, o presidente resolveu mexer na presidência do BC. "Mas eu tinha quem? É saber quem aceita, quem tem competência." A saída repentina de Lopes foi explicada por falta de operacionalidade na sexta-feira em que o mercado fez o preço do dólar disparar. "Era preciso operações mais enérgicas, só me convenci depois do dia 29 de janeiro, quando houve uma corrida ao dólar. Precisava de alguém que soubesse lidar com moeda flutuante, era preciso um operador, como o Armínio Fraga."
Os jornalistas lembraram ao presidente a definição de Itamar Franco do BC, de que seria uma "caixa preta". O que o senhor está fazendo para abrir esta caixa?, perguntaram."O governo avançou nesta transparência", limitou-se a dizer.

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