Brasília, 28 (AE) - Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de conceder aos magistrados um reajuste de até R$ 3 mil, na forma de auxílio-moradia, o presidente Fernando Henrique Cardoso está convencido de que aumentará a pressão sobre o governo para elevar o salário mínimo a níveis muito maiores do que estava sendo admitido pela área econômica: entre 150 e 160 reais. Embora tenha "lavado as mãos" em relação ao aumento do Judiciário, Fernando Henrique está preocupado com as repercussões políticas que esse fato poderá provocar, particularmente sobre o novo problema que poderá surgir também entre o Judiciário e o Legislativo.
Para o Planalto, embora não haja relação entre o que é pago a um juiz e o salário mínimo, os problemas serão inevitáveis, tanto do ponto de vista político, como do econômico
uma vez que elevará ainda mais o rombo da Previdência. O governo, que havia pensado em antecipar o anúncio do valor do salário mínimo, não sabe mais se essa decisão agora será acertada. De acordo com auxiliares do presidente, se o governo anunciar já o novo mínimo, ele poderá tornar-se o piso para o salário nesta discussão.
Fernando Henrique afirmou aos interlocutores que fez o que pôde para evitar uma greve do Judiciário, que considera prejudicial ao País e àquele Poder, que tem uma imagem a preservar.
Tentou uma medida provisória (MP) e emenda constitucional, mas nada foi aceito. Agora, a avaliação do Planalto é que a questão dos juízes está resolvida, mas outra foi criada, com a pressão sobre o mínimo. Mas, para o governo, com discussão ou não pelo Congresso, somente o plenário do Supremo poderá alterar a decisão da liminar concedida pelo ministro Nelson Jobim.
Assessores de Fernando Henrique acreditam também que essa liminar ficará vigorando por um bom tempo, até que se defina o teto salarial dos três Poderes. Como o governo tem certeza de que isso não acontecerá tão cedo, o auxílio-moradia ficará valendo até que haja uma solução definitiva, sem data a ser tomada. "Se podia ou não conceder o abono é mera discussão acadêmica", comentou um colaborador de Fernando Henrique, lembrando que, mesmo que a medida tenha desagradado politicamente, não há a quem recorrer acima do STF, embora se reconheça que uma concessão de tal liminar fuja, habitualmente, à jurisprudência tradicional do tribunal.

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