Curitiba - Um dos dramas da educação moderna, tanto nas salas de aula quanto dentro das famílias, é saber onde está o meio termo entre o liberalismo e o autoritarismo. A professora, filósofa e escritora Tânia Zagury afirma que há uma confusão de conceitos em que pais e educadores ligam modernidade a liberalidade e acabam deixando os filhos ou alunos fazerem tudo o que querem, esquecendo que existem posições que demandam autoridade.
Tânia Zagury fez uma conferência ontem, em Curitiba, dentro do 2º Congresso Internacional dos Expoentes na Educação, justamente sobre o tema ''Liderança em sala de aula: como ser moderno sem perder a autoridade''. Ela tem nove livros editados, entre eles o best seller ''Limites sem traumas'' e ''Encurtando a adolescência''.
''Sempre há a hierarquia e posições que demandam autoridade, como a dos pais e professores'', afirma ela, esclarecendo que autoridade não significa autoritarismo. ''Havia um modelo autoritário e progredimos muito para um modelo democrático que ouve, considera o que é dito pelas crianças e adolescentes, mas não se pode abrir mão dos conceitos essenciais'', diz.
Ela explica, por exemplo, que ser pai não é a mesma coisa que ser amigo. ''Nem sempre o diálogo leva ao consenso e não é fácil a comunhão de idéias entre pais e filhos, principalmente porque a criança e o adolescente é hedonista e quer tudo para já, enquanto os pais têm que pensar na educação a longo prazo'', argumenta.
Para Zagury, a educação se desenvolve em três etapas. Na primeira, existe o diálogo, com o qual se tenta resolver a questão, mas que não resolve tudo. Então vem a segunda, em que a autoridade deve prevalecer e as pessoas exercerem sua função de pai ou professor. Estas duas resolvem quase 90% das situações. A terceira é a responsabilização pelos atos em situações de enfrentamento. ''Se uma criança se recusa a fazer seus deveres os pais devem mostrar quais as consequências, podem dar um castigo e deixá-la sem sair de casa para brincar com os amigos, por exemplo'', afirma.
Os pais e educadores têm que ensinar as crianças e adolescentes a responsabilidade pelos deveres. ''Paulatinamente, é preciso passar responsabilidades, delegar tarefas, como organizar os brinquedos, mas sem ser compulsivo e respeitando os limites da idade.'' Para isso, também é muito importante fazer elogios, fortalecer a auto-estima e mostrar que acredita no potencial da criança. ''Os pais têm que aceitar a ajuda dos filhos, mostrar que têm confiança neles'', explica, ao mesmo tempo que censura as ''supermães'', que sempre querem se responsabilizar por tudo, negando-se a dar independência aos filhos.

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