São Paulo, 21 (AE) - A meta fixada pelo governo de superávit comercial de US$ 4 bilhões para este ano, no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), não está fora da realidade, acreditam empresários de comércio exterior. Apesar de a balança comercial ter apresentado déficit acumulado de US$ 785 milhões até maio, a equipe econômica do governo não está sendo excessivamente otimista porque os negócios nessa área já começam a melhorar, informam alguns representantes do setor.
A expectativa é de o valor das exportações superar o das importações em mais de US$ 500 milhões neste mês, afirmou hoje o vice-presidente da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), Roberto Gianetti da Fonseca.
Se esse resultado permanecer constante a partir de julho
o que é um prognóstico conservador, o saldo da balança comercial será de US$ 3 bilhões. "Com o resultado deste mês, vamos começar o segundo semestre praticamente zerados", disse Fonseca.
O saldo positivo é resultado de uma comprovada recuperação do mercado internacional, o que contribui para que o esforço exportador das empresas já comece a surtir efeito. O superávit este mês está sendo proporcionado pelo crescimento dos embarques de café ao exterior, da pequena recuperação das cotações das demais commodities, do gradativo crescimento das economias asiáticas e do aumento da renda de alguns países da América, proporcionado pelo aumento dos preços do petróleo.
Para Fonseca, o governo está sendo otimista, mas tudo indica que a meta fixada no acordo com o FMI será alcançada. Do ponto de vista da economia brasileira, cujo Produto Interno Bruto (PIB) é de quase US$ 700 bilhões, um superávit comercial de US$ 4 bilhões não muda muito.
Mas deve ser interpretado como um alento, se for levado em conta a tendência de o comércio exterior do País voltar aos bons tempos, quando superávit comercial oscilava entre US$ 13 bilhões e US$ 15 bilhões.
Naquela ocasião (década de 80), o total das importações não ultrapassava a US$ 25 bilhões, enquanto no ano passado chegou a US$ 61 bilhões. O superávit comercial, segundo Fonseca, é indispensável para recuperar a saúde da economia brasileia. "O importante é observar a balança de serviços, cujo déficit ultrapassa a US$ 20 bilhões."

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