Para empresário e sindicato, governo passa responsabilidade a Estado
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Cleide Silva e Gustavo Alves 
São Paulo, 23 (AE) - Empresários e sindicalistas acham que o governo federal está repassando responsabilidades que seriam da União para os Estados, ao propor a criação do salário mínimo regional.
Embora alguns concordem, em parte, com o projeto, temem a migração de trabalhadores para Estados que possam pagar mais.
Para o coordenador do Grupo de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Nicolau Jeha, o projeto de lei permitindo aos Estados estabelecer salários mínimos locais, se aprovado, vai manter "a cortina de fumaça que o País tem ao fixar um dos salários mínimos mais baixos do mundo", insuficiente para atender às necessidades básicas de uma família.
Jeha disse ainda que o governo federal, ao estabelecer um salário tão baixo - mesmo que chegue a 180 reais - só favoreceria os "brutais lucros da especulação financeira".
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, afirmou hoje que a proposta de fixar salários mínimos diferentes por Estados deve ser melhor estudada. Mas informou que, "a princípio", é favorável à medida porque diminuiria o impacto do aumento do mínimo no déficit da Previdência Social.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse ser favorável à criação de salários regionais, mas adiantou que, se o mínimo nacional for fixado entre 150 e 160 reais, a central vai promover manifestações em todo o País. "Queremos um mínimo de 180 reais", disse.
Paulinho esteve reunido hoje de manhã com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, e pediu que o governo não estabeleça o salário regional, no máximo, 30 reais acima do nacional porque há Estados que podem pagar mais.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, o projeto "é um absurdo", pois transfere responsabilidades da União para os Estados. "Se for assim, não precisamos de governo federal", afirmou.


