Berlim, 21 (AE-AP) - A maioria do eleitorado alemão acha que Helmut Kohl, ex-chanceler e pai da unificação do país, deve renunciar ao mandato de deputado devido ao seu envolvimento no chamado escândalo das contas secretas da União Democrata-Cristã (CDU), informou nesta sexta-feira (21) o instituto de pesquisas Emid. Segundo a sondagem, 59% dos alemães são favoráveis à saída do ex-chanceler do cenário político do país.
A porcentagem é menor entre os simpatizantes da CDU. Apenas um terço dos democrata-cristãos defende a renúncia de Kohl, que presidiu o partido 25 anos e chefiou o governo durante 16 anos.
O ex-líder democrata-cristão que já abandonou a presidência honorária da agremiação confessou ter criado as contas secretas para receber donativos de pessoas ou empresas que não queriam ser identificadas. Com esse manejo irregular das finanças da CDU
ele violou deliberadamente a lei de financiamento público dos partidos que determina absoluta transparência nos ingressos de dinheiro para aplicação em campanhas eleitorais.
A descoberta das irregularidades lançou o partido na mais grave crise de confiabilidade de sua história. Kohl se nega a revelar o nome dos "doadores", alegando "questão de honra". Ele não compareceu à sessão de quinta-feira do Parlamento, quando seu sucessor na presidência, Wolfang Schaeuble, pedia desculpas públicas por também estar implicado no escândalo. Na manhã de hoje, a Secretaria do Parlamento informou que Kohl será multado em 150 marcos (US$ 78) por não justificar sua falta à sessão.
Em outro sério desdobramento do escândalo, o governador do Estado de Hesse, o democrata-cristão Roland Koch, denunciou o desaparecimento de mais de 4 milhões de marcos (US$ 2,2 milhões) de uma conta bancária secreta da CDU na Suíça.
A conta teria sido aberta em 1983. Entre 1993 e 1997, foram sacados dessa conta 7,8 milhões de marcos (US$ 4,3 milhões), porém, a CDU de Hesse só recebeu 3,5 milhões de marcos (US$ 1,9 milhões), acrescentou Koch. "Não há nenhuma dúvida de que estamos diante de um caso de enriquecimento pessoal, que deve ser apurado." Segundo ainda o governador a conta da CDU de Hesse na Suíça tem atualmente 16,8 milhões de marcos (US$ 9,3 milhões).
Em meio a esse quadro, a polícia alemã procura esclarecer o motivo do suicídio na manhã de quinta-feira de Wolfgang Huellen, um dos principais responsáveis pelo orçamento e finanças da CDU.
Ele deixou uma carta na qual diz ter-se matado porque se apropriou de dinheiro do partido e temia ser descoberto pelos auditores independentes que examinam os livros contábeis da CDU.
Os investigadores não quiseram comentar o texto, mas ressaltaram que, aparentemente, não há nenhum indício de que o funcionário ajudou o ex-chanceler a ocultar fundos eleitorais.

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