Mais da metade (51%) dos eleitores brasileiros acredita que o principal foco da corrupção no país encontra-se na esfera do governo federal. Destes, 37% acreditam que, nos últimos dois anos, a corrupção ‘‘aumentou muito’’ e apenas 14% afirmam que ‘‘aumentou pouco’’. Para cerca de 40% dos eleitores, a corrupção também cresceu nas esferas dos governos municipais e estaduais.
Estes números fazem parte de pesquisa sobre corrupção no Brasil realizada pelo Ibope, entre os dias 15 e 20 de março, e divulgadas ontem, em São Paulo, pela organização Transparência Brasil. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores de todas as regiões do País.
O levantamento constatou que 6% dos entrevistados receberam propostas para vender seu voto nas eleições municipais de 2000. De acordo com a pesquisa, 9% das pessoas que procuraram órgãos públicos em seus municípios disseram ter recebido propostas de pagar propinas para que seus problemas fossem resolvidos.
Os órgãos policiais lideram os pedidos de propinas, com 24% dos casos, seguidos pelas prefeituras, 21%, e pelo Detran, 6%. Os outros 49% estão distribuídos entre dezenas de órgãos públicos municipais, estaduais e federais.
O secretário geral da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, desvincula qualquer ligação entre a opinião dos entrevistados sobre o aumento da corrupção e a evidência de que a corrupção tenha verdadeiramente crescido nos últimos dois anos na esfera do governo federal.
‘‘O grande número de denúncias e a veiculação delas na mídia pode causar este efeito, mas o que importa é a constatação de que os eleitores brasileiros não acreditam que a corrupção esteja sob controle no País’’, avalia Abramo.
Para o cientista político BrunoWilhelm Speeck, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos coordenadores da pesquisa, a percepção de que vive em uma sociedade corrupta ‘‘provoca baixa-estima e predispõe o cidadão’’ a participar dos processos de corrupção. ‘‘Ele passa a encará-la como um fenômeno natural e impossível de ser combatido’’, afirma.
Alguns indicadores da pesquisa revelam, no entanto, a existência de um alto grau de corrupção real no país. ‘‘A constatação de que 6% dos eleitores receberam ofertas para vender o voto nas últimas eleições municipais é inédita e surpreendente’’, avalia Eduardo Capobianco, diretor da Transparência Brasil.

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