Para economistas, arrecadação de junho é positiva
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terça-feira, 13 de julho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 14 (AE) - A arrecadação federal em junho, anunciada hoje pelo governo, foi considerada adequada e dentro das expectativas por economistas ouvidos pela reportagem. Para eles, é mais um sinal positivo de que o Brasil conseguirá cumprir a meta acertada com o FMI. Mas não é uma garantia, alertam.
Os R$ 11,239 bilhões que foram para a Receita Federal no mês passado parecem suficientes para garantir superávit no primeiro semestre do ano, embora poucos arrisquem afirmar que isso é uma certeza. Isso porque o resultado das despesas só será conhecido no início do mês que vem. E, nesse quesito, o Brasil não tem sido tão austero quanto desejável.
Fábio Akira, economista da Tendências Consultoria, afirmou que o mercado chegou a estranhar a falta de R$ 2,5 bilhões que deveriam estar no bolo arrecadado, por conta de concessões de serviços nas privatizações.
"A arrecadação acabou sendo menor do que se esperava, mas apenas porque o dinheiro das concessões seguiu diretamente para o Tesouro e não para a Receita", afirmou. Para Akira, esse é um aspecto técnico, que não muda em nada o bom resultado do mês e provavelmente um bom fechamento de semestre.
"Não é possível garantir, mas tudo indica que o Brasil acabará registrando um superávit no balanço dos seis primeiros meses." O economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, também preferiu não trabalhar com certezas, mas com probabilidades. "A menos que tenha havido um descontrole nas despesas, o que eu acho pouco provável, já se pode imaginar um superávit no semestre", disse. Otimista, ele imagina que esse superávit fique acima de R$ 2 bilhões.
Já o economista Marcelo Allain, do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, teme nova surpresa nas despesas, como ocorreu em maio. "Vez por outra, tomamos um susto quando as despesas são divulgadas", afirmou. Para ele, é cedo para acreditar que a meta com o FMI será cumprida.
De qualquer maneira, Allain considerou bastante positivo o resultado da arrecadação, mesmo com a baixa no recolhimento da CPMF, causada principalmente por antecipação de movimentações financeiras para antes de 17 de junho, quando o imposto começou a vigorar, e por liminares suspendendo as cobranças. Para ele, nos próximos meses a receita proveniente da CPMF tende a estabilizar-se.


