Belém, 6 (AE) - O consultor do Grupo de Projetos Especiais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Miguel Petrere Júnior, denunciou em Belém que 40% do pescado retirado dos rios dos Estados do Pará e Amazonas apodrecem dentro dos barcos por falta de frigoríficos adequados e são jogados fora.
Ele criticou o desinteresse do governo federal pelo problema, afirmando que a atividade pesqueira deveria receber melhor tratamento para modernizar sua frota de barcos, pois o pescado brasileiro é muito bem aceito no exterior, principalmente nos Estados Unidos, Europa e áfrica. A pesca na Amazônia, observou Petrere Júnior, ainda é feita de maneira aleatória em barcos caindo aos pedaços. "Pesca-se no dia que se quer, desrespeitando até mesmo o período de reprodução e crescimento dos peixes".
Hoje, o Brasil comercializa cerca de 200 mil toneladas de peixe, tanto dentro quanto fora do país, mas se o governo investisse na modernização do setor teria condições de aumentar em até cinco vezes sua produção.
"Poderíamos aumentar para 1 milhão de toneladas, mas precisaríamos de barcos maiores e mais adequados e de frigoríficos".
Petrere Júnior comparou a situação de alguns países que, com menores espaços geográficos para a pesca, produzem bem mais pescado que o Brasil. A Noruega e a Finlândia, por exemplo, exportam peixe para o mundo inteiro, embora tenham 60% de espaço físico menor que o Estado do Pará. A Tailândia, segundo ele, com uma situação econômica igual à do Brasil, produz cinco vezes mais pescado.
O setor pesqueiro na região Norte parece mesmo navegar numa onda de abandono e falta de apoio oficial. Semana passada, durante um seminário realizado em Belém, poucos representantes do governo apareceram para debater os problemas. "Falta pesquisa e financiamento", desabafou o presidente do Sindicato da Indústria de Pesca no Pará e Amapá, Ivanildo Pontes.

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