Brasília - O subdiretor-geral da Unesco, Pierre Sanné, disse ontem que o Brasil tem 40 anos de atraso no combate ao racismo e na adoção de políticas afirmativas para os negros. Em sua avaliação, o combate à pobreza, por si só, não basta para compensar a dívida histórica com os descendentes dos escravos – compromisso assumido pelos signatários da Conferência de Durban em 2001.
Sanné está no Brasil desde o último dia 8 em sua primeira visita oficial pela Unesco. Segundo ele, ‘‘o Brasil está atrasado em 40 anos, mas isso permitirá que o país aprenda com a experiência de outros países e avalie o que funciona e o que não funciona’’, disse o senegalês e ex-secretário-geral da Anistia Internacional, cargo que ocupou por dez anos.
Sanné afirmou que os governos do mundo não devem deixar a ação afirmativa para segundo plano porque já se esforçam no combate à pobreza. ‘‘A pobreza tem cor e gênero. A maioria são pessoas de cor, mulheres e crianças. É difícil separar o estado de pobreza das injustiças cometidas no passado. Mas as duas políticas não se excluem.’’
Sanné elogiou o Plano Nacional de Direitos Humanos 2, lançado há um mês pelo governo federal, e o decreto presidencial que determina cotas para mulheres e negros no serviço público federal. Para ele, são exemplos da ‘‘obrigação moral’’ assumida pelo país.
Para Sanné, todos os países devem encarar a pobreza – que mata 35 mil crianças por dia – como um de crime contra os direitos humanos, que deve ser investigado e punido, não apenas como um problema econômico e social.

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