São Paulo, 12 (AE) - O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Luiz Fernando Furlan, considerou "uma grande perda de tempo" o debate iniciado pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), sobre a atuação dos empresários paulistas e a necessidade de uma mudança de atitude. "Discutir sobre bairrismo é um atraso de vida", afirmou Furlan.
Segundo ele, "não existe mais empresário de São Paulo". As maiores empresas do País, disse, não têm uma base de produção localizada, atuando em vários estados da União. "Eu sou brasileiro há muito tempo. E nós vamos ser mercosulinos daqui a pouco e depois vamos ser alcalinos", comentou o empresário, em alusão ao Mercosul e à Alca. Ele atribuiu as críticas do senador ao "fato de São Paulo ser um centro de inteligência e de debate".
Sobre a possível concessão de incentivos do governo federal para a instalação de uma fábrica da Ford na Bahia, Furlan disse que se trata de "um casuísmo". Na sua opinião, ao invés de discutir uma reforma tributária que traga um sistema mais simples, justo e com menos sonegação, perde-se energia numa discussão indesejada. "A questão da Ford é esforço contrário ao que seria desejado", opinou, dizendo que a concessão seria apenas uma decisão improvisada.
O empresário Bóris Tabacof, presidente do Conselho Superior de Economia da instituição, nega-se a discutir se o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, tem ou não razão na briga por incentivos para a Ford. Baiano como ACM,Tabacof foi secretário estadual de dois governos, Lomanto Júnior e Luís Viana Filho. Hoje, tem negócios no estado, com a empresa Bahiasul, de papel e celulose. "Por razões pessoais eu não posso falar desse assunto", limita-se a repetir Tabacof quando indagado sobre a questão.

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