São Paulo - A realização de superávits primários altos é um dos principais entraves da reforma agrária no País. A afirmação é do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. ''O problema não é terra para fazer a reforma, os proprietários querem vender suas terras para o governo, o problema é o governo ter recursos para comprar essas terras, porque elas custam caro'', disse Dirceu, na conferência Desenvolvimento Econômico e Justiça Social: Perspectivas e Desafios, realizada em São Paulo.
Segundo o ministro, os Títulos da Dívida Agrária, emitidos para o pagamento das desapropriações, mesmo sendo parcelados em até 15 anos, são contabilizados no ano de sua emissão. ''Isso inviabiliza a realização de qualquer reforma agrária'', disse Dirceu. ''Se eu emito R$ 1,5 bilhão em títulos para assentar 30 mil famílias, não posso lançar R$ 150 milhões em 10 anos, tenho de lançar R$ 1,5 bilhão num ano e isso afeta o (superávit) primário imediatamente.''
O superávit primário é o saldo positivo entre o que o País arrecada e o que gasta antes do pagamento dos juros. O ministro afirmou que, para flexibilizar esses gastos, é necessária não só uma negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas também com os credores da dívida interna. ''Sempre temos que perguntar quando nós não fazemos um superávit de até 3%, 4%, num País com a dívida interna como o Brasil, se os credores dessa dívida vão aceitar um superávit menor.''
Na palestra que fez na conferência, Dirceu afirmou que não se pode tomar os conflitos sociais como algo que vá ''inviabilizar o País no ponto de vista democrático''.

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