Para Dirceu, governo será prejudicado com cancelamento de reunião
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domingo, 07 de fevereiro de 1999
Por Carla Franco 
São Paulo, 07 (AE) - O presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu (SP), avaliou hoje que a recusa do presidente Fernando Henrique Cardoso em receber os governadores de oposição na terça-feira (09) em Brasília poderá levar o País a uma crise institucional. Em sua opinião, o governo federal será o principal prejudicado com o impasse criado em torno das negociações das dívidas estaduais. "É pior para ele", resumiu o deputado, que considerou o cancelamento da reunião "inaceitável".
Para Dirceu, a resistência de FHC em dialogar com governadores e a grave situação financeira dos Estados vão contribuir negativamente para a imagem do governo e acelerar o processo de mobilização da sociedade. "Tenho certeza de que haverá mobilização social", afirmou.
O encontro entre o presidente e os governadores oposicionistas Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul, Anthony Garotinho (PDT), do Rio de Janeiro, e Ronaldo Lessa (PSB), de Alagoas, foi cancelado pelo governo depois da divulgação da "Carta de Porto Alegre", documento com reivindicações do grupo de oposição elaborado durante reunião no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, na última sexta-feira.
Na carta, os governadores exigem o fim das sanções a Minas Gerais e Alagoas, que não quitaram seus débitos com a União e tiveram recursos bloqueados, e ao Rio Grande do Sul, que depositou o pagamento em Juízo. No documento o grupo de oposição propõe ainda a suspensão do pagamento das parcelas das dívidas estaduais durante o período de negociação com o governo federal e solicita que o comprometimento máximo de suas receitas com os débitos seja reduzido de 15% para 5%.
Na avaliação de Dirceu, o cancelamento da reunião de terça-feira foi fruto de um "ataque de autoritarismo" do presidente Fernando Henrique. "Ou o governo perdeu o pé ou está querendo um pretexto para romper com os Estados", sustentou.
Apesar disso, o deputado defende a ida do grupo de governadores a Brasília no dia 9. "Na minha opinião, eles devem ir pelo menos para fazer reuniões com as bancadas dos partidos"
observou.


