São Paulo, 22 (AE) - O deputado federal Delfim Netto (PPB-SP) disse hoje que o ajuste fiscal do governo "caminha razoavelmente bem". Segundo ele, o governo deve atingir o superávit primário necessário neste ano e a situação fiscal pode ficar estabilizada se atingirmos taxas de juros real de 9%, crescimento de 4% do PIB e superávit de 3% no ano que vem. O deputado participou nesta manhã, na Fiesp, de workShop para discutir o desempenho do governo na questão do ajuste fiscal.
Durante o debate ele discordou da posição sobre a meta de superávit primário do vice-presidente do Instituto Atlântico, Paulo Rabello de Castro, que apresentou hoje o resultado do Indicador de Eficiência do Ajuste Fiscal. Segundo Rabello, a meta de 3% do PIB de superávit primário é insuficiente. Delfim acredita que uma meta de superávit maior não teria credibilidade e penalizaria ainda mais a população. Delfim acrescentou que, "depois de velho", ele tem restrição em fazer as "coisas" com rapidez. "Até o Michel Camderssus" (diretor-gerente do FMI) descobriu que embaixo de número tem gente), ironizou Delfim.
Entretanto, o deputado concorda com Rabello quanto ao fato de que o ajuste fiscal deva ser feito mais com corte de gastos do que com o aumento de impostos. "Não há ajuste bem sucedido feito com aumento de impostos." Delfim descartou a volta da inflação por causa da pressão do dólar nos últimos dias. Isso porque, segundo ele, a economia esta trabalhando muito aquém da sua capacidade, não há indexação de nenhuma natureza e os salários reais e nominais estão em queda.
Ele advertiu, porém, que se o câmbio se mantiver neste patamar, obviamente haverá consequências. Delfim acredita, porém
que a tendência do dólar de agora em diante é de queda em relação ao atual nível de R$ 2,00. Em relação às reservas internacionais do País, Delfim disse que o fato delas estarem menores se deve ao problema de fluxo de capitais em que há mais saídas do que entradas.

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