Para defesa, Colli é vítima de rede de prostituição
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A juíza da 6ª Vara Criminal de Londrina, Zilda Romero, ouviu ontem mais 12 testemunhas no processo contra o advogado e ex-presidente do Partido Verde (PV) Marcos Colli, acusado de estupro de vulnerável e por filmar e fotografar crianças em poses sexuais e pornográficas. A última etapa da audiência de instrução desta primeira ação foi marcada para 2 de outubro, quando o réu finalmente poderá ser interrogado. Outras quatro testemunhas devem depor por carta precatória nesta data. A sentença será publicada em até 20 dias após a sessão.
Colli chegou ao Fórum por volta das 12h30, algemado, escoltado por policiais e usando terno. A audiência foi encerrada às 17 horas. Foram ouvidas oito testemunhas arroladas pelo Ministério Público (MP) e quatro da defesa, incluindo os dois filhos e a ex-namorada de Colli e uma tia das três vítimas.
Para a defesa, os depoimentos comprovaram que o réu era vítima de uma rede de prostituição infantil, já que as vítimas desse processo têm parentesco com as das outras ações.
"Quem incorre o distúrbio mental da pedofilia é uma vítima e um usuário da rede de prostituição. Talvez isso não sirva como atenuante, mas mostra a necessidade de proteção para essas crianças", frisou o advogado Marcos Vergara, que defende Colli.
Segundo Vergara, a mãe das vítimas aliciava crianças para a prostituição. "Ela repassou o número do telefone das sobrinhas do marido para o Colli. Reconheço que a família tem uma condição de vulnerabilidade, mas e o carro que ela ganhou? Quem deu o carro? O Colli foi um dos que contribuiu."
Para a promotora Susana Lacerda, não há nenhuma conexão entre as vítimas e nenhum indício de prostituição infantil por parte da família. "As testemunhas confirmaram a situação abusiva de maneira clara, sem absolutamente nenhum envolvimento da família da vítima. Mesmo se houvesse, isso não afasta a responsabilidade do réu", afirmou.
Susana rechaçou também o argumento de que Colli sofre de uma patologia mental. "Todas as testemunhas afirmaram claramente que ele era um homem público, com vida social normal, trabalhava, advogava sem nenhum problema."
A defesa apontou ainda supostas distorções nas datas dos vídeos e nos conteúdos dos relatórios apresentados na ação criminal. "São apontadas vítimas menores de idade, mas que na verdade não são. Fomos surpreendidos com uma interceptação telefônica, que não foi apresentada previamente à defesa. Existe um esconde-esconde de provas e não se respeita o direito de defesa", alfinetou Vergara.
O MP rebateu e classificou como "absurda" a acusação. De acordo com a promotora, todas as buscas e apreensões foram realizadas pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o material periciado pelo Instituto de Criminalística. "De que tipo de adulteração estamos falando? São horas de vídeos e muitas fotos, que mostram o réu com as vítimas. As provas são fartas", garantiu.
A defesa teve negado ontem um habeas corpus, junto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), para unificar os processos contra Colli. As audiências de outras três ações foram agendadas para 11 e 25 de setembro e 2 de outubro.


