Para CUT-SP, governo deveria interromper mandato
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sexta-feira, 03 de setembro de 1999
Por Denise Carvalho 
São Paulo, 4 (AE) - O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado de São Paulo, José Lopez Feijó, afirmou hoje que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ter a decência de interromper seu mandato. Segundo o sindicalista, os rumos da política econômica estão equivocados e a saída de Clóvis Carvalho do Ministério do Desenvolvimento significa que o governo é incapaz de conter os desentendimentos na base aliada.
"Se o País chegar à situação de absoluto descalabro, a ponto de pedir a moratória (segundo sugeriu sexta-feira o presidente do PT nacional, José Dirceu), será fruto da política econômica conduzida pelo ministro Pedro Malan e pela teimosia de Fernando Henrique Cardoso", disse Feijó. "Isso é o que a população pensa, mas não reconheço no governo nobreza suficiente com um gesto dessa grandeza (renunciar ao cargo e realizar eleições diretas)."
O sindicalista destacou que o governo não está sabendo esconder as escaramuças na base aliada porque nem os ministros estão em acordo sobre os rumos políticos e econômicos para o desenvolvimento do País. O presidente da CUT em São Paulo declarou, ainda, que a população está insatisfeita com o governo porque "a política econômica causa prejuízos que se traduzem em alta taxa de desemprego, exclusão social, redução da massa salarial e da distribuição de riquezas". Para Feijó, política de desenvolvimento do governo para o Brasil é ineficiente para produzir uma nação de bem-estar social.
Excluídos - A CUT espera reunir milhares de pessoas em todo o Brasil, no Dia da Independência, terça-feira, no 5º Grito dos Escluídos, ato que motiva a população mostrar o descontentamento com o governo de Fernando Henrique. Segundo Feijó, a manifestação tem o objetivo de revelar a evolução da massa de pessoas que hoje vivem nas ruas.
"Assim como tivemos 50 mil pessoas, em 1º de maio, no Anhangabaú (SP), e cerca de 100 mil na Marcha a Brasília, confio que o Grito dos Excluídos reunirá milhares. Minha intuição é que essas manifestações tendem evoluir cada vez mais, até que o governo mude de rumo ou desocupe a cadeia", afirmou Feijó.
Participarão do ato membros do Movimento dos Sem-Terra (MST), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e outras entidades.


