São Paulo, 09 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) considerou uma "aberração" a possibilidade de concessão de benefícios para que a Ford instale sua fábrica na Bahia - como pretende o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Nas comemorações do 67º aniversário da Revolução Constitucionalista, Covas reforçou o tom das críticas à medida provsória que oferece incentivos fiscais para a instalação da montadora em Camaçari, na Bahia.
"Seria uma concorrência muito desigual do ponto de vista federativo", disse o govenador paulista. Ele acredita que a Bahia produziria automóveis com um custo "muito mais barato" do que em outros Estados, hipótese que Covas considera "impensável". "Ficaria uma coisa muito disparatada porque os carros feitos lá custariam mais barato e, como este é um País sem fronteiras, todo mundo iria comprar lá (Bahia). "Isso não é bom para a Bahia e não é bom para ninguém", avaliou Covas.
"Vai acabar prejudicando todo o país, além de ser ruim também para os outros Estados". "É uma concorrência predatória
absolutamente descabida", completou.
Perguntado sobre a pressão de ACM para que a Ford instale sua fábrica na Bahia, Covas transferiu a responsabilidade para o presidente Fernando Henrique. "Está bom", ponderou o governador paulista, antes de questionar a autoridade de ACM. "O presidente vai ter que tomar uma decisão que eu considero complexa, mas quem decide é ele. Ele diz se veta ou não veta."
O governador do Estado disse que o país já conhece mecanismos de incentivo fiscais mais saudáveis. "A Sudene ou o Sudam, por exemplo. Se existia uma faixa do país que está pouco desenvolvida, em vez de pagar o imposto de renda,investe naquele Estado. Isso é uma forma de incentivo que eu acho razoável", comparou Covas.
O governador descartou a possibilidade de a Ford fechar sua fábrica no ABC paulista. "Quando eles (Ford) foram conversar conosco, estavam decidindo para onde iriam e nunca falaram em fechar a Ford de São Bernado. Nunca falaram isso e até anunciaram um pequeno investimento em SP", lembrou o governador.
Em relação à reforma ministerial, Covas disse que as declarações feitas por ele não foram bem interpretadas pela imprensa. "Eu falei apenas que a reforma tinha que ser feita para ficar bem claro que quem manda no governo é o presidente, e isso eu tenho certeza que ele concorda comigo, garantiu.

mockup