Londrina - O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) condenou ontem a situação de abandono dos índios que vivem em território paranaense. Para o coordenador da entidade na região Sul, Jackson Lopes Santana, indígenas vivem em precários acampamentos à margem de rodovias aguardando a demarcação de novas reservas, especialmente nas regiões Oeste, Centro Sul, Sudoeste e Noroeste, e estão expostos a violência, além de alijados de serviços elementares nas áreas de saúde e educação.
''É uma grande violência contra essa população, vulnerável em todos os sentidos. Eles convivem com uma ameaça real de serem mortos ou por invasores ou por doenças evitáveis'', denuncia Santana.
Ontem, a entidade divulgou em Brasília o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil. O documento informa que o número de índios assassinados em 2011 é o menor desde 2005. No ano passado, 51 índios morreram em todo o país. O Cimi não divulgou dados regionalizados. Desde 2008, o número se mantinha em 60 casos anuais.
Embora a quantidade de mortes tenha ficado abaixo inclusive da média anual (55,8) calculada para o período entre os anos de 2003 e 2011, quando, ao todo, foram mortos 503 índios; a organização indigenista ligada à Igreja Católica destaca que o resultado não significa uma melhora no quadro geral da violência contra os povos indígenas.
De acordo com o relatório, houve uma piora em vários outros aspectos, por exemplo, nas tentativas de assassinatos e no número de suicídios e de índios que morreram por falta de assistência à saúde.
Para o Cimi, os 30 casos de tentativa de assassinato contra 94 vítimas representam um ''aumento assustador'' se comparados às 18 ocorrências registradas em 2010.
Suicídios
O Cimi também faz um alerta sobre os crescentes casos de suicídio. No total, o relatório identifica 26 casos de índios que tiraram a própria vida e mais oito que tentaram se matar. A maioria das vítimas é do sexo masculino, tem até 24 anos e usa cinto ou fio de náilon para se enforcar.
Os indicadores referentes a danos ambientais em terras indígenas também pioraram. Enquanto em 2010 o Cimi relatou 33 casos de invasões de propriedades indígenas e de exploração ilegal de recursos naturais, no ano passado foram 42 casos.
Para Jackson Lopes Santana, os índios do Paraná sofrem com a omissão do poder público. Ele citou os acampamentos guaranis instalados na divisa oeste do Estado, que vão da região de Guaíra até Foz do Iguaçu, passando pelos municípios banhados pelo Lago de Itaipu. ''Estes grupos não têm assistência médica, acesso à medicamentos e as crianças não vão a escola'', informa.
No Noroeste, Santana lembrou do caso dos Xetás, povo ameaçado de extinção e que está espalhado pela região, entregue à miséria e sofrendo com forte preconceito.
Em outra região, no Centro-Sul, o problema é o número de caingangues atropelados na BR-277. Segundo o ativista, pelo menos seis mortes deste tipo foram registrados em 2011. ''Há outras formas de violência mais sutis, como a que sofre a população índigena afetada pela construção da usina hidrelétrica em Mauá da Serra.'' Procurado pela reportagem, o representante da Funai em Londrina preferiu não comentar os resultados da pesquisa.(Com Agência Brasil)

mockup