Brasília, 21 (AE) - O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, disse hoje que o governo argentino, ao restringir a entrada de produtos brasileiros na Argentina, utilizando barreiras técnicas, está "certamente cedendo a pressões" das empresas argentinas que não se prepararam para a concorrência que teriam que enfrentar com o fim das listas de adequação do Mercosul em janeiro deste ano.
Botafogo Gonçalves lembrou que, nos últimos quatro anos, os setores de calçados, tecidos, papel e celulose e produtos siderúrgicos - que se beneficiavam de tarifa de importação zero ao entrar no Brasil enquanto esses mesmos produtos, quando exportados pelo Brasil, eram taxados no mercado argentino - já manifestavam temor com o ganho de competitividade que precisariam alcançar e manifestavam preocupação com uma possível desvalorização do real frente ao dólar.
O secretário da Camex disse que não considera justo que o Brasil agora tenha que restringir suas exportações, pagando um preço pela desvalorização cambial, uma vez que esses setores argentinos não se prepararam para o fim do regime de adequação. Ele ressaltou que as medidas restritivas adotadas pela Argentina contra a entrada de produtos brasileiros não terão um impacto muito forte nas vendas de produtos brasileiros à Argentina, porque produtos como calçados, por exemplo, representam entre 1% e 2% do total do comércio no Mercosul.

mockup