Para Bier, mercado responde bem e economia deve crescer já em 99
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Por Adriana Fernandes e Nélia Marquez 
Brasília, 09 (AE) - O secretário de Política Econômica do Banco Central, Amaury Bier, avalia que o mercado reagiu bem aos números de desempenho da economia anunciados ontem (08) no memorando de política econômica acertado pelo governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "O câmbio e juros recuaram, os bradies subiram, embora a bolsa tenha registrado uma queda, mas em função do câmbio", disse.
O secretário acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre sinalizará uma elevação em torno de 4% a 5% em 12 meses. Conforme o memorando técnico, a média do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano contra a média do ano passado apresentará uma queda entre 3,5% a 4%.
Segundo Bier, a melhoria das expectativas, tanto na área fiscal quanto monetária e também na área das exportações, garantirão uma melhoria no desempenho da economia no segundo semestre.
O secretário explicou que o IGP-DI foi o índice utilizado para a mensuração de todas as metas e projeções contidas no memorando de política econômica acertado com o Fundo
por ser o que mais se parece com o deflator implícito do PIB. Segundo Bier, na definição do programa de metas de inflação é provável que se adote um índice de preços ao consumidor. Ele esclareceu que não será um novo índice.
A expectativa do governo brasileiro, contidas no memorando, apontam para uma inflação de 10% no primeiro semestre deste ano e de 16,8% nos 12 meses do ano. Bier disse que nesses cálculos não foi considerado um possível aumento do salário mínimo. "É uma questão que ainda não há definição no governo", disse. Explicou ainda que possivelmente em abril e maio será concentrado o impacto da desvalorização cambial na inflação.
O governo brasileiro insistiu junto ao FMI em abandonar como parâmetro o déficit nominal (que compreende todas as despesas, inclusive juros) por considerar que o cálculo do primário (que exclui os gastos com juros) expressa o esforço fiscal que o País vem fazendo. Segundo Bier, o FMI concordou em abandonar o nominal.
Embora não conste dos documentos divulgados ontem sobre a revisão do acordo com o FMI, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou que a expectativa é de que o déficit nominal feche 1998 na faixa dos 8% do PIB e em 1999 em 6,9% do PIB. Na primeira versão do acordo, estava previsto um déficit nominal de 4,7% em 1999.
Bier explicou que a nova trajetória do déficit nominal é compatível com as projeções da taxa selic de 28,8% para 1999, de 16,6% para 2000 e de 13,7% para 2001.


