Para Bezerra, indústria chegou ao limite suportável
Brasília, 27 (AE) - O empresariado industrial é contra a centralização do câmbio, está disposto a ajudar o governo para evitar o repasse da desvalorização cambial aos preços e defende a permanência do ministro Pedro Malan, na Fazenda.
Em linhas gerais foram essas as posições do empresariado apresentadas hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria, senador Fernando Bezerra. Ele alertou, no entanto, que a indústria chegou ao limite suportável para qualquer outro tipo de ajuste no setor produtivo.
Os empresários, ainda segundo o presidente da CNI, também consideram que os juros estão no limite suportável, mas acreditam que já a partir de abril as taxas comecem a cair. A Confederação Nacional da Indústria manifestou também ao presidente a confiança de que o câmbio vai se estabilizar entre R$ 1,55 e R$ 1,60, com base em estudos feitos antes da desvalorização da moeda e que apontavam uma defasagem cambial entre 15 e 20%.
Fernando Bezerra manifestou ainda a disposição do setor em apoiar firmemente o ajuste nos Estados e Municípios. "Não podemos aceitar que outras forças venham comprometer o ajuste que o governo vem fazendo", afirmou Bezerra, referindo-se à tentativa de governos estaduais de renegociar suas dívidas com a União.
Bezerra lembrou que no ajuste do governo o setor produtivo fez a sua parte e não aceita agora ver esse esforço interrompido com o pedido de renegociação dos Estados. O empresariado industrial também é da opinião de que mexer agora no Ministério da Fazenda, com a mudança de seu titular, seria um complicador a mais no quadro de instabilidade que o País vive. O presidente da CNI, Fernando Bezerra, reconhece que o ministro está desgastado, mas ressaltou que é uma pessoa séria e com credibilidade internacional.





