Para Associação Médica do Paraná, operadoras vendem ilusão
A Associação Médica do Paraná (AMP) mantém postura crítica em relação aos planos de saúde. Para o advogado da entidade, Fabiano Araújo, além do reflexo da crise, a queda de usuários é resultado da má qualidade dos serviços oferecidos. Segundo ele, as operadoras absorveram uma demanda maior do que poderiam atender.
"Com o fenômeno de ascensão da classe C, propagado no início da década, as operadoras passaram a oferecer planos por menos de R$ 100. O que ocorre é que você vai procurar um médico e tem que esperar três meses. Não é nada daquilo que ofereceram. Estão vendendo ilusão", criticou.
Araújo contou que a entidade chegou a questionar no Ministério Público Federal (MPF) como as operadoras conseguiriam se manter com os valores cobrados. "Saúde é algo caro. Não existe conta mágica. Não adianta ser barato e não dar cobertura adequada. Isso implica na qualidade dos serviços, na remuneração médica. Hoje, os melhores profissionais estão preterindo os planos".
Já a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ligia Bahia expôs em entrevista à TV Brasil que o Brasil não tem renda capaz de sustentar seu atual mercado de planos de saúde. Para a pesquisadora, a solução para a crise no sistema de saúde privado do Brasil é investir mais no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Lígia, os planos de saúde priorizam pessoas jovens e saudáveis. "Quem é doente e idoso vai ficando para trás. Esse é o problema desse processo que está ocorrendo, que é dramático e não precisaria ocorrer se tivéssemos o sistema público de saúde aprovado pela Constituição de 88".
OUTRO LADO
O diretor executivo da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Antônio Carlos Abbatepaulo, informou que para se avaliar um setor é preciso levar os números em conta. Segundo ele, pesquisas recentes do Ibope e Instituto Datafolha mostraram nível de satisfação alto ou muito alto com os planos entre 66% e 75%. "Se fosse um serviço ruim, o plano de saúde não estaria entre os três itens mais desejados pelos brasileiros. O que ocorre é que é comum as críticas terem mais repercussão que os elogios".
Segundo ele, as estatísticas apontam que, em mais de 1 bilhão de procedimentos realizados por ano pelos planos, apenas 25 mil recebem algum tipo de crítica. Abbatepaulo garantiu que o atendimento está sendo suprido. "Nos últimos anos houve sim aumento considerável de beneficiários e todos estão sendo atendidos. Primeiro se percebe a demanda para depois realizar os investimentos. O setor tem tido investimentos importantes, inclusive com abertura de capital estrangeiro". (C.F.)





