Para as tatuadoras, desafios são maiores
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domingo, 09 de setembro de 2018
Simoni Saris<br> Reportagem Local 

Em um meio que durante muito tempo foi dominado por tatuadores homens, as mulheres começam a se sobressair e conquistar o seu espaço e o seu público. Na 2ª edição da Expo Tattoo, as tatuadoras ainda eram minoria, mas elas garantem que não têm diferença entre os trabalhos feitos por homens e mulheres e trabalham duro para conquistarem um espaço cada vez mais relevante.
A tatuadora Thaís Politi, de Londrina, diz que não passam de clichê algumas afirmações relacionadas ao gênero feminino, como mãos mais leves e traços mais delicados. "Na verdade, o traço não tem diferença. Homens podem ter traços delicados", comentou. "Às vezes, as mulheres ficam mais à vontade ao serem tatuadas por outra mulher. Setenta e oito por cento do meu público é feminino e é uma delícia conquistar esse espaço. É um tapa na cara dos homens", destaca a tatuadora Marina Horta, de Piracicaba (SP). No estande onde elas estavam, dos nove tatuadores, seis eram mulheres.
Horta é bióloga, doutora em microbiologia, e desenhava desde os nove anos de idade. Na faculdade e depois da conclusão, começou a trabalhar com ilustração científica até que um aluno a convidou para fazer uma tatuagem. Ela foi e ao ver o primeiro desenho gravado sobre sua pele, encontrou ali um novo caminho para a sua vida. A especialidade dela é a ilustração botânica, mas há apenas três anos na área, ainda não conseguiu formar um público exclusivo para esse tipo de desenho. "Faço outros estilos porque é difícil vender só o seu estilo. Mas estou cada vez mais só na botânica", comemora.
Apesar das conquistas, elas lamentam as dificuldades que encontram no dia a dia para conquistar espaço como tatuadoras e enfrentam cada uma delas para seguir em frente. "Já teve cliente que se recusou a fazer a tatuagem comigo por eu ser mulher", conta Horta. "Quiseram cobrar mais caro de mim pelo material porque eu era mulher. Tive que pedir para um motoboy ir comprar para eu não ter de pagar mais", relembra Priscila Trevisan. "Dá um sentimento de exclusão", resume Horta. Aos poucos, porém, os espaços vão surgindo. Em Campinas (SP), já há um evento que reúne exclusivamente tatuadoras e considerando que a maioria dos clientes que procuram por um tatuador é mulher, o mercado para as tatuadoras deve crescer mais. (S.S.)


