Para ANP, descoberta no Irã não afetará licitações no Brasil
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 29 (AE) - A descoberta do campo gigante de petróleo no Irã, com reservas estimadas em 26 bilhões de barris e um potencial de investimentos para empresas multinacionais, não afetará o interesse dos estrangeiros na segunda rodada de licitação de blocos de exploração no Brasil. A afirmação é do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn. "O Brasil continua na preferência mundial", explicou. Uma das vantagens apontadas é o volume de investimentos que o País aplica em estudos sísmicos. Além disso, as empresas estrangeiras têm interesse em desenvolver novos pólos petroquímicos no mundo. "O Irã concentra 70% das reservas globais e é uma das áreas com mais tensões geopolíticas, o que causa insegurança ao mercado", disse Zylbersztajn.
Para ele, as empresas estão respaldadas na recuperação de sua capacidade de investimentos, advento da disparada dos preços do petróleo, que foi prejudicial ao Brasil. Metade do déficit de US$ 623 milhões da balança comercial brasileira no primeiro semestre, por exemplo, foi decorrente dessa diferença nos preços, afirmou.
Quando o campo iraniano recém-descoberto estiver produzindo, entretanto, o aumento da oferta poderá gerar a baixa dos preços. Mas a descoberta do campo gigante, na opinião de Zylbersztajn, não ajudou a provocar a leve queda do preço do petróleo ontem. "Atualmente, o preço sofre influência da demanda e do comportamento da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)", disse.
Zylbersztajn declarou que esse megacampo, encontrado em uma região "pequena e explorada desde o começo do século", dá alento e boas perspectivas ao Brasil. O País acaba de perfurar um poço pioneiro com reservas que podem chegar a 700 milhões de barris. O novo campo encontrado pela Petrobrás pode acirrar a disputa na nova rodada de licitações, que será lançada pela ANP amanhã, às 11 horas, no Rio.
Hoje, às 21 horas, o diretor-geral da ANP teria uma reunião com a equipe de licitação da agência para dar a palavra final sobre o número de áreas e a localização dos blocos a serem ofertados. O leilão deve acontecer entre abril e maio do ano que vem. Haverá um road show em Tóquio e um seminário de apresentação em Londres.
Os investidores serão atraídos ainda pela qualidade da tecnologia e mão-de-obra local, acredita Zylbersztajn. Por isso, a agência está investindo em bolsas de estudo para formar profissionais para o setor de petróleo e gás. Hoje o diretor-geral da ANP assinou a concessão de 184 bolsas para os programas de 13 instituições de ensino superior, no valor total de R$ 1,6 milhão. No ano que vem, os gastos podem chegar a R$ 10 milhões e talvez incluam o ensino médio profissionalizante.
Segundo Zylbersztajn, o índice de nacionalização de fornecedores - cerca de 28% na primeira rodada - deve ser maior na próxima licitação. Um estudo da ANP indicou a capacidade de 60% em geral, ou 90% em casos específicos. "Mas o patamar alcançado já foi elevado para empresas que não tinham contato com o Brasil", afirmou.
Petroquímicas - A ANP deve publicar em uma semana a portaria que autoriza as centrais petroquímicas a transformar o excedente de solvente em combustíveis, como gasolina. Na prática
as três centrais - Petroquímica União, Copene e Copesul - atuarão como refinarias. "Falta acertar detalhes sobre a forma de pagamento da PPE (Parcela de Preço Específica)", afirmou Zylbersztajn.


