Washington, 26 (AE-REUTERS) - A cada dia que se prolonga o julgamento do presidente Bill Clinton no Senado, os republicanos estão cavando um buraco político cada vez maior para eles mesmos, acreditam muitos analistas políticos.
"Não existe uma escada para cima para os republicanos nesse julgamento. Quanto mais tempo ele durar, mais perigosa é a situação para eles", disse Gary Jacobson, um cientista político da Universidade da Califórnia, em San Diego.
A opinião pública sobre o julgamento tem estado efetivamente congelada nos últimos seis meses com constantes 60% a 65% do eleitorado opondo-se aos esforços para retirar Clinton do cargo.
Não parece haver chance de que os necessários 67 senadores votem pela condenação dele por acusações de perjúrio e obstrução de justiça, mas os republicanos ainda parecem incapazes de encontrar uma saída para pôr um rápido fim ao processo.
Agora eles enfrentam uma votação crucial sobre a convocação de testemunhas, o que poderá estender o julgamento por vários dias e possivelmente semanas.
"Os republicanos já sofreram um revés junto à opinião pública e acredito que isto irá se traduzir num golpe eleitoral em 2000, quando eles estarão sofrendo um sério risco de perder o controle de pelo menos uma das casas do Congresso, e talvez ambas", afirmou Douglas Muzzio, um cientista político do Baruch College, em Nova York.
As eleições de 2000 já estão se constituindo numa das mais cruciais em anos, com o controle das duas casas do Congresso e a presidência em jogo. Atualmente os republicanos controlam uma maioria de cinco assentos no Senado e de seis na Câmara dos Representantes.
Enquanto os republicanos têm sido consumidos no processo, Clinton e o vice-presidente Al Gore, o provável candidato presidencial democrata em 2000, têm preenchido o vazio político com uma série de iniciativas populares.
Uma pesquisa da revista Time mostrou esta semana em que extensão Clinton está dominando o debate político. Eleitores preferem ele frente aos congressistas republicanos por 56% a 31% na questão da reforma da Previdência Social; por 59% a 30% sobre mudanças no Medicare; e por 59% a 29% na questão da educação.
Na medida em que os republicanos não têm conseguido desenvolver qualquer iniciativa política, Clinton tem sido bem- sucedido em cooptá-los.
Por exemplo, o governador do Texas, George W. Bush, que é favorito a ser indicado candidato presidencial republicano, fez do fim da passagem automática dos estudantes de uma série para a outra um tema central na sua vitoriosa campanha de reeleição.
Na semana passada, Clinton incluiu a mesma exigência em seu discurso sobre o Estado da União. A reação irritada de Bush foi dizer: "Bem-vindo a bordo, presidente".
Mesmo sem o impeachment, existem sinais de que o ambiente político está se voltando contra os republicanos. O tipo de questões que o levaram ao topo não têm funcionado mais neste momento de prosperidade.
"A política de superávit orçamentário é diferente da política de um déficit orçamentário. Somos melhores na política de déficit, quando a questão é que programas cortar, do que na política de superávit, quando a questão é que programa financiar", afirmou um republicano que pediu para não ser identificado.
Bill Kristol, editor da revista conservadora Weekly Standard e um destacado ideólogo republicano, disse que não conseguia se lembrar de um tempo desde 1977 no qual os republicanos estivesses tão desmoralizados e desorganizados.
Republicanos ainda vêem esperança de vingança no fim da estrada, ou pelo menos o respeito do eleitorado por terem se mantido em armas pelo impeachment. Numa conferência de ativistas conservadores na semana passada, delegados se congratulavam mutuamente pela coragem política deles.
"A América está faminta por pessoas que acreditam em algo. Você pode não concordar conosco, mas acreditamos em algo", disse o representante de Illinois Henry Hyde, o líder do caso de impeachment contra Clinton.
Mas o perigo é que os republicanos se coloquem muito fora do compasso com o resto do país. Uma vez que o julgamento tenha terminado, republicanos se verão lutando para provar que eles não estão.
"Eles foram tomados pelas suas próprias noções sobre Clinton e eles não podem deixar isto desaparecer", disse Andrew Kohut, Centro de Pequisas Pew.
A última pesquisa de opinião de Kohut mostrou que os eleitores preferem os democratas sobre os republicanos mesmo quando a questão é cortar impostos, por 45% a 32%, um claro sinal que os republicanos estão em sérios problemas.
"Quando tudo isto terminar e Clinton ainda estiver no governo, um monte de pessoas irá perguntar: Para que serviu tudo isso? Por que eles nos submeteram a isso?" afirmou Kohut.

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