São Paulo, 14 (AE) - A redução nas taxas de juros do crédito pessoal, anunciadas pelos principais bancos de varejo nos últimos dias, não deverá promover grandes impactos na recuperação do consumo no curto prazo, mas sinalizam uma tendência positiva de que o mercado poderá se estabilizar a taxas menores em breve. Segundo a avaliação do vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcolm, ainda é muito cedo para se falar de aumento de demanda por crédito. "O mercado está parado", afirmou, ressaltando que o processo de redução dos juros ainda levará alguns dias para mostrar seus primeiros resultados. "Nem todos os bancos ainda se manifestaram a respeito", explicou.
Malcom disse também que a eliminação do compulsório não causa grandes impactos, porque a composição das taxas de juros incluem inadimplência e impostos, ambos em patamares elevados. "Por esses e outros motivos não é possível fazer maiores reduções", disse. Para o comércio paulista, no entanto, as expectativas são melhores. Para o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, em outubro já será possível perceber alguns bons resultados nas vendas a crédito. Ele acredita que os comerciantes deverão repassar essa baixa nos juros para o consumidor final. "É o único jeito de manter as vendas aquecidas", afirmou.
No entanto, Alfieri destacou que as expectativas positivas não são necessariamente previsões de grandes aumentos nas vendas. Ao contrário, disse, se o comércio repetir o desempenho do ano passado, já pode considerar um ótimo resultado. "O tarifaço drenou toda a renda disponível e esfriou nossas perspectivas", disse. "Crescimento firme, só no ano que vem", acrescentou.

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