Associação diz que genéricos atraíram para o mercado 15 milhões de pessoas
Mauro FrassonO farmacêutico de Curitiba, Mario Hisao Miyao: apenas quatro produtosA principal justificativa do setor farmacêutico para a falta de genéricos é o aumento do consumo de medicamentos. ‘‘O Brasil tem 15 milhões de pessoas que não consumiam medicamentos e hoje compram genéricos’’, disse à Folha o vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Hélio Ishida. ‘‘Antes, o cidadão ia no médico do SUS, mas não comprava o remédio porque era muito caro.’’
Segundo Ishida, além da demanda reprimida, a procura ‘‘surpreendente’’ pelos genéricos contribuiu para o desabastecimento. O setor industrial, de acordo com ele, errou na estimativa do potencial desse mercado. A Abrafarma prevê que o fornecimento seja normalizado em um prazo de três meses. Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, essa meta será atingida no prazo de um ano.
Em relação ao baixo número de genéricos disponível atualmente no Paraná, Ishida disse que o tempo médio entre a aprovação de um medicamento pelo governo e sua chegada à prateleira da farmácia é de 45 dias. Portanto, os lotes liberados a partir de 10 de março – situação de 11 dos 26 sais já aprovados – só deverão estar no mercado no final deste mês.
Na sexta-feira, a Folha telefonou duas vezes para a assessoria de imprensa da Abifarma, entidade que reúne os laboratórios que atuam no País, mas não obteve retorno.
De acordo com Ishida, apesar do desabastecimento, os genéricos já representam 20% do consumo de medicamentos no Brasil. Por enquanto, esses sais são produzidos por sete laboratórios de médio porte com sede no País. O sistema farmacêutico é formado por 470 indústrias. Desse total, cerca de 60 já encaminharam pedido de registro de genéricos. (V.D.)

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