São Paulo, 04 (AE) - A instabilidade gerada a partir das mudanças na política cambial contribuiu para a queda na captação líquida da caderneta de poupança em janeiro. A avaliação é da superintendente técnica da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Ilona Beer. Segundo ela, apesar de janeiro ser um mês tradicionalmente fraco para fins de captação, porque reflete o aumento de consumo em dezembro e, consequentemente, saques maiores no mês seguinte para a quitação de dívidas, a instabilidade econômica estimulou um movimento maior de retiradas nos últimos dias úteis do mês.
Segundo dados divulgados hoje pela manhã pelo Banco Central, as cadernetas de poupança registraram perda líquida de R$ 266,3 milhões em janeiro, resultado de um total de depósitos de R$ 24,310 bilhões e saques de R$ 24,576 bilhões. Apesar da sazonalidade, lembra Ilona, nos dois anos anteriores a captação líquida da poupança em janeiro foi positiva em R$ 877 milhões (98), e R$ 3,516 bilhões (97). Nesses dois anos, esclarece Ilona
além de uma conjuntura econômica mais favorável, as captações em poupança foram favorecidas por rendimentos mais altos para depósitos feitos em dezembro e janeiro.
A queda na captação líquida da caderneta de poupança em janeiro, no entanto, não deve diminuir a oferta de financimentos imobiliários, que deverão se manter nos mesmos patamares dos últimos meses, prevê a superintendente da Abecip. Isso porque, explica Ilona, segundo a Resolução 2.519 do Conselho Monetário Nacional (CMN), os bancos são obrigados a destinar 70% do saldo da poupança a financiamentos habitacionais. Ela disse que a oferta pode até aumentar, dependendo da carteira de financiamento de cada banco.

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